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Gastronomia e passeios no Centro de SP: onde a tradição vive ao lado de novidades

Que tal um giro gastronômico que mistura passeios culturais no centro da metrópole? Região mescla história, bons restaurantes e atrações turísticas imperdíveis

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

São Paulo

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Os números impressionam: são 12,3 milhões de pessoas, 20 mil restaurantes, 30 mil bares, mais de 150 museus e 100 parques e espaços culturais. Mas estes dados não chegam perto de definir a grandeza de São Paulo. Com uma energia frenética e vibrante, a capital paulista nos oferece uma verdadeira imersão cultural e gastronômica, nos conduzindo em uma viagem por ideias, aromas, sabores e diferentes visões de mundo.

Cosmopolita, a megalópole é a maior e mais populosa cidade do hemisfério sul e, dentre suas regiões, uma delas mostra-se como uma joia da culinária e da cultura: o centro. História e tradição misturam-se com as novidades do século 21, fazendo com que o local seja um dos lugares mais interessantes da capital. Aqui, o passado convive com o presente de uma forma simbiótica.

Não é à toa que foi pelas redondezas que a cidade começou a se desenvolver. Quer história? O centro tem. Quer se divertir? Também é possível. E comer bem? São inúmeras opções das mais diversas cozinhas.

Assim, digo que, a partir do momento que começamos a frequentar o centro, ajudamos a conservá-lo também. Seja em seus restaurantes, na cena cultural ou nos passeios à pé entre os edifícios e monumentos, colaboramos de alguma forma com sua revitalização.

E uma das chaves é justamente por meio da gastronomia: enquanto gravávamos o CNN Viagem & Gastronomia pelo centro, observei que os chefs que se estabelecem por ali geram um comprometimento com a região, que acaba transformando os vínculos numa comunidade muito forte.

Por isso, vale um giro por seus bares, restaurantes, teatros, museus e ativações culturais. Mas detalhe: são inúmeras opções! Logo, fizemos uma curadoria do que achamos mais bacana para o programa, e juntamos algumas novidades com o que era clássico – o resultado foi um programão pelo centro da cidade.

Portanto, vale ressaltar: mais do que um roteiro fechado, as dicas são uma forma de te instigar a visitar o centro e fazer suas próprias descobertas. Eu, por exemplo, dei preferência aos sabores e aromas através dos bares e restaurantes, tentando equilibrar com algumas atrações culturais. Afinal, “turistar” na própria cidade é uma chance de conhecer a fundo nosso próprio lar.

Gastronomia: bocadas clássicas e inovadoras

A seguir, confira uma seleção de casas na região central de São Paulo que se destacam pelas suas cozinhas e produtos. São casas clássicas, patrimônios imateriais, novidades, bares e cervejarias que ajudam a colocar o centro como uma importante rota gastronômica não só da cidade, mas do país.

Típicos do centro

Casa Godinho

São mais de 130 anos de história em São Paulo. Considerado Patrimônio Imaterial da cidade, o nascimento da mercearia remonta a 1888 ainda na Praça da Sé. Ocupa desde 1924 o número 340 da rua Líbero Badaró, onde grandes nomes faziam suas compras, como Assis Chateaubriand, Adhemar de Barros e Jânio Quadros.

É um local que remete muito à minha infância e nos leva numa viagem pelo tempo com sua balança de prata, o piso de ladrilho hidráulico e as prateleiras de imbuia do século 19 – os produtos são embrulhados em papel e temperos são vendidos a granel. E não deixe de experimentar a famosa empadinha (R$10): com vários sabores, a mais tradicional é a de bacalhau, servida dentro de um potinho com garfo.

Ah, e vale ressaltar que o empório fica no térreo do Edifício Sampaio Moreira, o primeiro arranha-céu de São Paulo.

Onde? Rua Líbero Badaró, 340 – Centro, São Paulo – SP

Bar e Lanches Estadão

Sanduíche de pernil é o carro-chefe da casa / Wikimedia Commons

É um verdadeiro clássico das madrugadas da capital, já que fica aberto 24 horas todos os dias da semana. Democrático, o local na boca do Viaduto 9 de Julho é ponto de referência no centro desde dezembro de 1968, quando foi inaugurado. Aqui, não há como não experimentar o famoso lanche de pernil (R$29,90): é como um patrimônio da cidade.

O sanduíche é o carro-chefe da casa e o mais procurado no dia a dia: são mais de 30 peças de pernil consumidas diariamente – cada uma pesa em média entre 7kg e 8kg. Ele é vendido em várias versões, desde o tradicional até com queijos variados à escolha do freguês. Digo que ir no Estadão é como relembrar minha adolescência: sempre acabávamos caindo aqui nas madrugadas da região.

Onde? Viaduto Nove de Julho, 193 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP

Casas clássicas

La Casserole

O La Casserole é um dos melhores restaurantes franceses da cidade bem em meio ao Largo do Arouche. A casa de 1954 nos dá uma sensação de estarmos numa Paris antiga: com seus vitrais e garçons que trabalham lá há décadas, tudo nos remete à Belle Époque, com uma elegância rebuscada e nostálgica.

Na minha opinião, o restaurante serve o melhor steak tartare de São Paulo, servido cru e temperado com batatas fritas maison (R$ 74). Outros clássicos franceses estão no menu, claro, como o moules et frites (R$ 69), filet au poivre (R$ 89) e crêpes suzette (R$ 29). É como um patrimônio gastronômico e histórico no centro.

E uma curiosidade: além de ficar bem em frente a uma das floriculturas mais antigas da cidade, seu interior guarda o Infini, bar “escondido” em que é necessário passar pelo salão principal do restaurante e seguir em direção à cozinha, onde uma porta lateral nos leva ao “secreto bar”.

Onde? Largo do Arouche, 346 – República, São Paulo – SP

Café Girondino

O próprio estabelecimento se proclama como uma instituição paulistana. O Café Girondino remete ao período da sociedade marcada pelos barões do café, quando bondes e cafeterias europeias definiam o centro. O antigo endereço existiu na esquina da Rua XV de Novembro com a Praça da Sé e, hoje, revive a alma destes tempos na Rua Boa Vista, em frente ao Mosteiro de São Bento.

No restaurante, vale pedir um café acompanhado de um salgado, como a coxinha (R$9,70). Entre os doces, nada melhor do que o arroz doce (R$22), típica sobremesa brasileira feita com maestria aqui. Quer recriá-la em casa? Aprenda o passo a passo aqui.

Onde? Rua Boa Vista, 365 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP

Cozinhas variadas

Fôrno

forno entradas
Entradinhas do Fôrno, como as fritas com pastrami e a couve flor empanada/ Reprodução/Instagram

Próximo à Consolação e ao Minhocão fica uma portinha com uma escada sucinta que te teletransporta para uma outra cidade, como Nova York. Esse espaço todo moderninho com artes e grafite nas paredes aloja o Fôrno. É um restaurante de onde saem massas e sanduíches deliciosos e, na minha opinião, é de onde sai o melhor pastrami de São Paulo – o carro-chefe é o sanduíche de pastrami (R$ 85).

São cerca de cinco toneladas de pastrami por mês consumidos no Fôrno, como o dono Gabriel Prieto me disse. Sua história no centro, inclusive, não começou nesta cozinha, mas sim com um projeto social em 2004 para cuidar de crianças e adolescentes da região. Também abriu o Holy Burger, bem conhecida do centro, antes de apostar nas massas do Fôrno – a hamburgueria fica na esquina de cima do restaurante.

Onde? Rua Cunha Horta, 70 – Consolação, São Paulo – SP

31 Restaurante

Com passagens por cozinhas como Maní e D.O.M, Raphael Vieira abriu seu próprio restaurante em janeiro de 2021 / Divulgação

Novidade muito bem-vinda na República, o 31 Restaurante é comandado pelo chef Raphael Vieira, que nos apresenta um cardápio dinâmico com ingredientes locais e sazonais. O local é todo envidraçado e sem muitas barreiras, o que nos possibilita enxergar todo o espaço aberto com tons amenos e arquitetura de pegada moderninha.

O interessante é que é um restaurante com foco nos vegetais e que traz o frescor dos ingredientes à mesa. O menu é atualizado diariamente e busca o aproveitamento total da matéria-prima. Sustentabilidade e integração são palavras de ordem aqui.

Onde? Rua Rêgo Freitas, 301 – República, São Paulo – SP

Conceição Discos & Comes

Pão de queijo recheado com ovo e pernil do Conceição Discos & Comes / Daniela Filomeno

A chef Talitha Barros leva à Vila Buarque um clima de informalidade e, claro, uma comida deliciosa que é digna de nota. Da cozinha, de onde adora conversar com a clientela, sai uma comida não somente de sabor, mas também de muita personalidade. Os pratos mais famosos são os arrozes, como o arroz de galinha com quiabo, o de lula com ervas frescas e ainda o baião de dois.

Vê-la mexer a panela no fogo, jogando o arroz para cima, é testemunhar uma verdadeira maestria na cozinha. Outro destaque vai para o pão de queijo com ovo e pernil – a gente se lambuza inteiro enquanto o ovo escorre no pão. Assim, digo que a comida aqui é fresca, artesanal e que é quase como um abraço.

Onde? Rua Imaculada Conceição, 151 – Vila Buarque, São Paulo – SP

A Casa do Porco

O casal Jefferson e Janaína Rueda, que já foram as estrelas de um dos episódios do CNN Viagem & Gastronomia, colocaram o centro de São Paulo na rota gastronômica premiada da cidade, jogando luz às potencialidades da região. E é na esquina da Rua Araújo que fica um dos melhores restaurantes não só do Brasil, mas do mundo: A Casa do Porco.

É o único brasileiro entre os 50 melhores do mundo atualmente, onde serve um menu criativo focado nos suínos – do focinho ao rabo, nenhuma parte é desperdiçada. São criações inesperadas que valem a pena a fila de espera, como o sushi de papada de porco (R$ 38) e o torresmo de pancetta com goiabada (R$ 45).

Além d’A Casa do Porco, vale a passada no Bar da Dona Onça, de Janaína, no icônico Copan, que serve receitas bem afetivas, como coxinhas de galinha caipira e galinhada com quiabo e gema curada. Um ao lado do outro, destacam-se ainda a Sorveteria do Centro e o Hot Pork, que serve apenas dois tipos de hot dog sem rodeios: um tradicional e outro vegetariano. Assim, o casal ajuda a fazer do centro um local para redescobrir a própria cidade.

Onde? Rua Araújo, 124 – República, São Paulo – SP

Rota do Acarajé

Acarajé e cachaça: combinação bem brasileira, a casa na Santa Cecília não apresenta simplesmente o prato e a bebida, mas adiciona sabor, saberes e uma pitada de altíssima qualidade vinda da própria Bahia. Luisa Saliba é a “cachaceira” do lugar, que nos apresenta uma carta com mais de mil rótulos – sim, o número impressiona!

Além disso, a casa tem um típico acarajé da Bahia com quatro recheios servido no prato com vatapá de pão amanhecido, caruru, a saladinha tomate verde e cebola e o camarão seco defumado (R$ 27 o acarajé de mão e R$ 32 o acarajé de prato). É uma cozinha baiana de deixar qualquer um querendo mais – uma viagem a alguns patrimônios brasileiros por meio da culinária.

Onde? Rua Martim Francisco, 529/533 – Santa Cecília, São Paulo – SP

Cuia Café e Restaurante

É no icônico Edifício Copan, cartão-postal de São Paulo, que a chef Bel Coelho mostra mais uma de suas habilidades no Cuia. Considero Bel uma artista da gastronomia brasileira, e ali serve comidinhas típicas de café mas também pratos bem executados.

Dentro da Livraria Megafauna, o Cuia nos oferece desde cafés, salgadinhos para todas as horas, assim como entradas, sanduíches, pratos e sobremesas, que misturam ingredientes nacionais com toques de uma sofisticação descomplicada. A minha dica é comprar um livro e passar algum tempo aqui entre uma bocada e outra.

Onde? Edifício Copan, Avenida Ipiranga, 200, Loja 53 – República, São Paulo – SP

Assaz Orgânica

A lojinha na Rua Major Sertório é prática: é através de uma espécie de vitrine que escolhemos os pães, sanduíches ou docinhos que queremos e, voilà, após o pagamento, são entregues ali mesmo. Sem reservas, mesas ou cadeiras, o espaço feito para pegar e levar tem pães de farinha orgânica nacional e fermentação natural, como a ciabatta e o pão de centeio.

Mas o que realmente me conquista são os canelés, docinhos típicos de Bordeaux – como uma viagem à França ficando em São Paulo. O desafio é fazer o canelé com uma crosta escura por fora e um creme macio por dentro – e aqui conseguem. É uma paradinha rápida e deliciosa.

Onde? Rua Major Sertório, 234 – Vila Buarque, São Paulo – SP

Bares

Fel

É outra pérola que fica na área de restaurantes e comércio do Copan – e é um dos bares mais disputados de São Paulo. O salão é bem pequeno, onde fica geralmente lotado, com um grande balcão de mármore que percorre o recinto. O interessante do Fel é que é um bar apenas de coquetéis: as comidinhas são bem limitadas e não há reservas. É um bar-balcão que leva o serviço e a qualidade ao pé da letra.

Na casa, pedi um drinque com gim refrescante do jeito que gosto, e deixei o resto nas mãos e habilidades do bartender. É uma dica para se surpreender.

Onde? Edifício Copan, Avenida Ipiranga, 200 – Térreo, 69 – República, São Paulo – SP

Bar Bagaceira

Logo ao lado do Koya88, na esquina, fica o Bar Bagaceira, onde a chef Viviane Mello resolveu criar um boteco bem característico com comidinhas diferentes e muito bem feitas. A cozinha fica aos seus cuidados ao lado de Thiago Maeda e, uma vez ali, é quase que obrigatório experimentar o bolovo de porco e morcilla (R$ 22), com um ovo bem fotogênico por dentro.

Entre os drinques, assinados por Thiago Pereira, há clássicos de boteco, como o Macunaíma (R$ 29) e o Rabo de Galo (R$ 33), até os autorais da casa.

Onde? Rua Frederico Abranches, 197 – Vila Buarque, São Paulo – SP

Elevado Bar

Daniela Filomeno no Elevado Bar, bar de vinhos na Rua Jesuíno Pascoal / CNN Viagem & Gastronomia

É um bar de vinhos na frente do Bagaceira e do Koya88 que vem para somar a boa gama – e a diversidade – de bares na capital. O ambiente é agradável e a ampla carta de vinhos – muitos deles para pedir em taça – impressiona. Aqui, podemos começar já com um vinho de excelência, o Manzanilla, de Jerez, servido em 60ml (R$ 18).

A proposta é trazer vinhos refinados de vários lugares e disponibilizá-los em um cardápio para lá de interessante. Entre as pedidas, comidinhas também satisfazem, como a azeitona kalamata (R$22) e o pantumaca (R$24) – pão tostado, purê de tomates e anchovas.

Onde? Rua Jesuíno Pascoal, 16 – Consolação, São Paulo – SP

Bar dos Arcos

Daniela Filomeno no Bar dos Arcos, no subsolo do Theatro Municipal / CNN Viagem & Gastronomia

O Bar dos Arcos fica logo abaixo de um dos palcos mais extraordinários do Brasil: o Theatro Municipal. Era literalmente um espaço abandonado no subsolo que foi revitalizado pelo empreendedor Facundo Guerra, que possui vários projetos na cidade.

O interessante é que Facundo tenta modernizar espaços da cidade que estão na nossa memória e, a partir deles, criar uma nova identidade. E o Bar dos Arcos é um deles: o mais bacana daqui é que tudo gira em torno dos arcos, que são de 1911. Eles são feitos de gordura de baleia, areia e conchas e toda a estrutura do bar foi feita para preservar essa história.

Além de toda a beleza característica do local, o cardápio também é recheado de coisas boas: entradinhas, pratos e, claro, coquetéis caprichados fazem parte do menu.

Onde? Theatro Municipal de São Paulo, Praça Ramos de Azevedo, s/n – República, São Paulo – SP

Cervejarias

Dogma Cervejaria

Na Santa Cecília, a Dogma se destaca com seu “tasting room” que ocupa um antigo galpão reformado onde funcionava uma oficina de carros. Diversas cervejas são distribuídas em 20 torneiras, com rótulos sazonais produzidos exclusivamente para consumo no local.

Mas uma em especial marca a casa: a Rizoma, uma double IPA, cuja latinha de 400 ml foi lançada em 2016 e causou mudanças no mercado de cervejas artesanais. Amarga e lupulada, é uma delícia!

Onde? Rua Fortunato, 236 – Santa Cecília, São Paulo – SP

Cervejaria Central

A mesma rua do Elevado, do Koya88 e do Bar Bagaceira ainda guarda outro estabelecimento digno de visita: a Cervejaria Central. A casa valoriza pequenos produtores cervejeiros e produz uma das melhores cervejas de São Paulo. São várias delas, mas uma chama atenção: a “Pilsen mesmo”, uma clássica que virou um dos pedidos mais disputados daqui. Outro detalhe é que as cervejas são produzidas no próprio local, numa pequena fábrica nos fundos do bar.

Onde? Rua Jesuíno Pascoal, 101 – Vila Buarque, São Paulo – SP

Passeios: onde passado e presente se abraçam

Museu da Língua Portuguesa

Anexo à histórica e nostálgica Estação da Luz fica um dos museus mais importantes da capital paulista, o Museu da Língua Portuguesa, que reabriu em julho do ano passado após ser recuperado de um triste incêndio em 2015 – a sorte é que muito do acervo era digital e grande parte dele está aqui de novo, são e salvo.

Agora, o museu, que tem um caráter educacional e dinâmico, apresenta novas alas e exposições, além de um terraço com vista para a torre do relógio e para o Jardim da Luz. Entrar em contato com a história da nossa língua é tocante e, na escala que se apresenta, é considerado o maior museu de uma língua falante do mundo.

Além disso, o museu tem uma relação íntima com a Estação da Luz, historicamente importante e ainda ativa no centro de São Paulo. O ar nostálgico se dá pela arquitetura e apreciar seu interior é como viajar no tempo. É um programão para toda a família!

Onde? Praça da Luz, 1 – Luz, São Paulo – SP.

Farol Santander

161 metros de altura, 35 andares e mais de mil janelas compõem os números do Edifício Altino Arantes, um dos cartões-postais mais conhecidos da cidade. Encravado bem próximo às ruas que formavam o centro bancário, o prédio branco de 1947 teve projeto inspirado no icônico Empire State Building, em Nova York – e de fora já é uma atração possível de ser avistada de vários cantos do centro.

Hoje batizado de Farol Santander, o interior do local guarda um acervo de memória e exposições temporárias. Um impressionante lustre de cristal de quase 13 metros, artefato estonteante de se ver, já nos impressiona na entrada. Porém, é o mirante, no 26º andar, que é bem concorrido. O local possui uma bela vista de São Paulo e, com indicações nos vidros, informa os turistas sobre pontos importantes da cidade.

Juntando o passeio com gastronomia, por que não beber um drinque num ambiente para lá de elegante dentro dos antigos cofres do Banco do Estado de São Paulo? É o que propõe o Bar do Cofre, comandado pelo SubAstor. É muito interessante pensar que esses ambientes eram realmente cofres ativos no passado, e móveis e objetos originais são mantidos. Defino o local como um lugar histórico e ao mesmo tempo misterioso, imperdível de se aproveitar junto de um drinque de açaí que é uma das especialidades da casa. É um superprograma!
Onde? Farol Santander: Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo – SP

Mercado Municipal

mercadao de sao paulo
Mercadão foi inaugurado em 1933 e apresenta variedade de vendas, bares e restaurantes / Wikimedia Commons

O Mercadão é parada obrigatória para os visitantes em São Paulo: é uma forma de conhecer ainda mais a cultura local e de quebra vislumbrar o passado histórico do entorno. Inaugurado em 1933, enche os olhos de quem passa por aqui com suas frutas exóticas, verduras, legumes, carnes, queijos doces e especiarias.

É uma mistura curiosa de produtos e de vendedores, assim como um mezanino reserva surpresas gastronômicas para quem passa por aqui. Os bares e restaurantes servem de feijoada a bolinho de bacalhau, além de cervejas e chopes gelados. Seja compras a granel, seja uma sentada no boteco ou ainda boas garfadas nos restaurantes, estar no centro é sinônimo de visitar o Mercadão.

Onde? Mercadão Municipal, Rua Cantareira, 306 – Centro, São Paulo – SP

Mirante do Vale

Daniela Filomeno no Sky Sampa / CNN Viagem&Gastronomia

Você sabe qual o prédio mais alto de São Paulo? Se pensou no Farol Santader, antigo Banespão, ou ainda no Edifício Itália, o chute raspou na trave, mas os palpites estão errados: é o Mirante do Vale, no Vale do Anhangabaú. Ele tem 170 metros de altura e 51 andares. Agora, imagine subir até o 42º andar e vislumbrar todo o centro da capital e outros importantes pontos numa cabine inteira feita de vidro.

É isso que propõe o Sampa Sky, atração recente da cidade em que vemos todo o skyline da cidade enquanto estamos inseridos no centro. Andar no seu chão de vidro a mais de 100 metros de altura é de acelerar o coração, mas é recompensador. Aqui paramos, escutamos os barulhos do centro e de quebra saímos maravilhados com suas vistas. É uma mistura de medo, altura e beleza arquitetônica sem igual.

Onde? Edifício Mirante do Vale, Praça Pedro Lessa, 110 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP

Catedral da Sé

Daniela Filomeno no telhado da imponente Cathedral da Sé / CNN Viagem&Gastronomia

É um símbolo do centro e de toda a cidade de São Paulo, que fica literalmente no coração da cidade. De fora ela já é imponente, com seu estilo neogótico predominante, mas seu interior não deixa nada a desejar: os inúmeros vitrais, pé direito alto e tetos de estrutura côncava deixam qualquer um maravilhado.

Para mim, é uma síntese de silêncio e de introspecção. O Padre Luiz Eduardo Baronto é como um líder daqui, e digo que atua também como empreendedor: seu desafio é manter a catedral sustentável com todos os problemas ao redor dela.

Foi quando o local começou a oferecer mais experiências em sua estrutura, chamando a população para participar, como rodadas de coro de natal e também, mais recentemente, o brunch da catedral – em que, além das delícias servidas, a experiência contempla visita às torres e à cúpula, restritas ao público geral no dia a dia. Vale ressaltar que a Sé possui 62 sinos – formando o maior campanário do Brasil.

Onde? Praça da Sé – Sé, São Paulo – SP.

Estação Júlio Prestes e Sala São Paulo

Interior da Sala São Paulo, um dos ícones da música clássica mundial / Daniela Filomeno

É uma antiga estação de trem, mas traz predicados muito mais impactantes do que isso: carrega em si toda uma aura do século passado com sua arquitetura e importância. Bela por fora, o interior guarda uma das joias culturais da cidade: a Sala São Paulo, um dos espaços mais importantes de música clássica que temos no mundo e sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Imagine que antigamente o grandioso espaço era um pátio com três grandes palmeiras imperiais e sem teto. Tempos depois da desativação da estação, entre as décadas de 1990 e 2000, o local foi reformado, ganhou um teto tecnológico que sobe e desce e hoje, com seu design arrojado e pilares coríntios, firma-se como uma das melhores acústicas do mundo.

Com uma programação intensa de música clássica e outros eventos recorrentes, a Estação também oferece visitas monitoradas e agendadas pelas imediações – sempre buscando integrar a população em torno da arte. Bravo! Vale ressaltar que a Sala São Paulo também pode ser acessada por meio de uma passagem que conecta à Estação da Luz.

Onde? Praça Júlio Prestes – s/nº, Luz – Centro, São Paulo – SP


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