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Para curtir o frio: destinos que combinam com o inverno na América do Sul

Estações de esqui, vinícolas, cidadezinhas românticas... Daniela Filomeno entrega sugestões de destinos para curtir as férias de julho

Vinhedos em Mendoza, na Argentina, região de vinícolas no sopé da Cordilheira dos Andes
Vinhedos em Mendoza, na Argentina, região de vinícolas no sopé da Cordilheira dos Andes Wikimedia Commons

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

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Lareira acesa, vinho na taça, comidinhas para compartilhar e um ventinho gelado que nos deixa agasalhados o dia inteiro. O que isso quer dizer? Que as temperaturas caíram e que o inverno se aproxima! Neste ano, 21 de junho é a data que marca o início desta nova estação, período que já bate à nossa porta.

E por que não curtir as temperaturas amenas em algum destino próximo? Seja em cidadezinhas charmosas no Brasil ou ainda em países vizinhos, como Argentina e Chile, a América do Sul está recheada de cantinhos especiais com cenários deslumbrantes que são ideais para apreciar o friozinho com calma.

Junte a isso vinhos, uma gastronomia refinada e passeios surpreendentes e temos um combo perfeito para as férias de julho e o restante do inverno – que se alonga até setembro.

Quer destinos românticos para serem curtidos a dois? A América do Sul tem. Deseja conhecer vinícolas e tomar os melhores vinhos do mundo? Tem também. Ou ainda começar a praticar esportes de neve e experimentar esquiar pela primeira vez? Também é possível.

O interessante é que alguns destinos também são relativamente próximos das capitais e dos grandes centros urbanos, o que garante certa facilidade de serviços e locomoção.

A seguir, confira quatro sugestões de destinos bem próximos do Brasil – sendo uma delas nacional – para inspirá-la a programar uma viagem especial em meio às baixas temperaturas de nosso continente:

Argentina: os encantos de Mendoza

Vinhedo de Malbec no alto da Cordilheira dos Andes em Luján de Cuyo / Getty Images

Mendoza é emoldurada pela beleza incomparável dos Andes, cinturão de montanhas mais extenso do mundo. Distante cerca de mil quilômetros de Buenos Aires, quase na divisa com o Chile, a cidade é um convite irrecusável para bons vinhos – é daqui que sai o tão almejado Malbec argentino – e também para boas experiências gastronômicas e descanso.

A região de Mendoza é uma das maiores áreas produtoras de vinhos da América Latina, e possui mais de mil vinícolas. Haja taça! Além disso, a cidade possui um charmoso centro arborizado e neve no inverno. Apesar das vinícolas adquirirem um aspecto mais acinzentado e com folhas secas durante este período, ainda vale o passeio pela região para se jogar nas degustações de vinhos e curtir o friozinho no melhor estilo.

Capital da província de mesmo nome, a região abriga o imponente Monte Aconcágua, com seus 6.962 metros, uma das maiores montanhas do mundo e a mais alta fora da Ásia – um dos passeios mais visados por aqui também.

A província de Mendoza divide-se em quatro principais regiões: a capital Mendoza, Maipú e Luján de Cuyo, cerca de 20 km do centro, e Vale de Uco, mais afastada, a 80km do centro. Tudo por aqui é encantador: o cenário mistura picos que se mantêm nevados o ano todo e parreirais que parecem infinitos.

Além de vinícolas consagradas, como a Viña Cobos (em Luján de Cuyo) e a Família Zuccardi (em Maipú), a região abriga hotéis sofisticados, restaurantes de gastronomia ímpar e também parques, praças e mercado municipal no centro da própria cidade de Mendoza.

Prepare a taça e deguste Mendoza com calma, pois é um destino para aproveitar o frio e beber um bom vinho – melhor a dois!

  • O que fazer? Visitar vinícolas, conhecer o centro da cidade e regiões próximas, comer em restaurantes locais e aproveitar o frio.
  • Onde ficar? Tanto Mendoza quanto as outras cidades e regiões vinícolas próximas oferecem acomodações requintadas e perfeitas para a viagem no inverno. Saiba onde se hospedar no centro de Mendoza, no Vale do Uco e em Luján de Cuyo.

Uruguai: a charmosa Colônia do Sacramento

Além dos pontos turísticos de Montevidéu, como o Teatro Sólis, o Mercado do Porto e a Feira Tristan Navarja, e o badalo no verão de Punta del Este e José Ignacio, o Uruguai também reserva cantinhos charmosos para curtirmos o inverno.

É nesta época do ano que Colônia do Sacramento, a uma hora de barco de Buenos Aires e a três horas de ônibus de Montevidéu, ganha contornos ainda mais românticos. É uma cidadezinha pequena com casinhas simples e vista para o mar às margens do Rio da Prata que pode ser aproveitada em pouco tempo, como em um final de semana e também numa viagem casada à capital do Uruguai.

O lugar reúne história, cultura, bons hotéis, restaurantes e um lindo pôr do sol. Com as temperaturas bem amenas no inverno, Colônia é daqueles lugares gostosos para caminhar e se perder no tempo, onde andar em seu centro histórico é conhecer um pouco mais da história da cidade. As Fortificações, as Ruínas do Convento de São Francisco do Xavier e a Basílica do Santíssimo Sacramento são algumas das atrações por aqui.

O pôr do sol no farol também arranca suspiros e é um espetáculo à parte que reúne os turistas no final do dia. O clima durante o inverno fica perfeito para apreciarmos uma parrilla acompanhada de um belo vinho uruguaio.

Caso queira descobrir outros locais próximos, a dica é partir para a vizinha Carmelo, antiga produtora de vinhos, a uma hora de carro.

  • O que fazer? Visitar o centrinho, apreciar o pôr do sol, e comer uma parrilla junto de um vinho uruguaio no friozinho do inverno.
  • Onde ficar? Para se acomodar em Colônia do Sacramento há alguns hotéis bem charmosos, entre eles o Charco Hotel. Hotéis de rede, outros menores e acomodações em sites de aluguel também dão conta do recado.

Chile: estações de esqui próximas a Santiago

Território comprido e vizinho à Argentina, vários são os lugares do Chile que nos reservam cenários espetaculares, seja em meio à neve ou ainda ao lado de vinícolas.

Caso deseja esquiar pela primeira vez e se introduzir no mundo dos esportes na neve, o Valle Nevado pode ser uma boa opção. Uma das maiores áreas de esqui da América do Sul, o Valle Nevado fica a apenas 90 minutos da capital Santiago e conta com vista privilegiada para a Cordilheira dos Andes – a 3 mil metros acima do nível do mar – e infraestrutura completa de lazer para todas as idades.

Os serviços no complexo incluem aulas de esqui e snowboard, spa, fitness center, bares, pubs e restaurantes de diferentes tipos de culinária. O Valle Nevado oferece três opções de hospedagem, em que mantém o padrão em todos. São eles: Tres Puntas, Puerta del Sol e Valle Nevado, com três, quatro e cinco estrelas, respectivamente.

Caso queira fugir um pouco desse agito, a estação de esqui Portillo é um bom cenário para quem quer aproveitar a temporada de neve. A duas horas do aeroporto de Santiago, possui estrutura completa de hospedagem, lazer e entretenimento para diferentes idades, contando com mais de 30 pistas para todos os níveis de esquiadores e snowboarders.

Encravado na Cordilheira dos Andes, o hotel de Portillo construído na década de 1940 fica de frente ao belíssimo Lago del Inca. Diferente de outras estações, o hotel não possui estabelecimentos comerciais em seus arredores, o que faz dele um destino quase que intocado.

Centro de Esqui e Hotel Valle Corralco / Reprodução Facebook

Outra boa opção no Chile para esquiar é Corralco, um pequeno e exclusivo centro de esqui situado a cerca de 700 km ao sul de Santiago – a maneira mais fácil de chegar é pegar um voo da capital do país até Temuco, que fica a 120 km de Lonquimay.

O Centro de Esqui e Hotel Valle Corralco está localizado aos pés do Vulcão Lonquimay, dentro da Reserva Nacional Malalcahuello-Nalcas, região de La Araucanía. Pequeno e com serviço primoroso, o hotel conta apenas com 54 quartos exclusivos, com vista privilegiada para o vulcão e para a floresta de araucárias, onde o silêncio traz uma paz e uma conexão com a natureza incrível.

Com mais de 1.800 hectares de área de esqui, nove metros de neve por ano, 29 pistas e seis teleféricos, a reserva oferece a temporada de esqui mais longa do Chile e toda a imensidão da Cordilheira da Araucanía para descobrir.

  • O que fazer? Esqui e snowboard, aulas de esportes na neve, conhecer os cenários surpreendentes da Cordilheira dos Andes ou com a Cordilheira da Araucanía e aproveitar a temporada de neve com temperaturas abaixo de zero.
  • Onde ficar? O Valle Nevado conta com três hotéis, o Tres Puntas, Puerta del Sol e Valle Nevado, com três, quatro e cinco estrelas, respectivamente. Já a estação de esqui Portillo conta com o histórico Hotel Portillo e outras duas instalações mais em conta, o Octagon, área anexa ao hotel com 16 apartamentos menores e mais simples; e o Inca Lodge, com quartos e banheiros compartilhados, muito procurado por mochileiros. Já em Corralco a opção é o Centro de Esqui e Hotel Valle Corralco, com apenas 54 quartos, oferece uma experiência intimista e quase exclusiva.

Brasil: Terra dos Cânions, no sul

Pequena cidade de pouco mais de 6 mil habitantes no Rio Grande do Sul, Cambará do Sul é, na verdade, porta de entrada para uma grandiosidade sem fim. Conhecida como a Terra dos Cânions, é aqui que fica o maior conjunto de cânions da América do Sul – cerca de 69 ao todo.

Enormes desfiladeiros, cachoeiras, vales, Mata Atlântica e florestas de araucárias formam paisagens estonteantes, as quais são divididas entre o planalto gaúcho e a planície catarinense. Distante cerca de 190 km de Porto Alegre, o destino é ideal para um turismo de contemplação e aventura, com cenários surpreendentes e baixíssimas temperaturas, pois fica a mais de mil metros acima do nível do mar.

Mesmo fora do inverno, a sensação térmica chega a atingir 0°C logo nas primeiras horas da manhã em determinados dias. Aqui é comum acordarmos cedinho e ver os dias amanhecendo com uma forte névoa.

A região no sul do Brasil é ideal para reservar um quarto numa das pousadas ou pequenos hotéis e se conectar com o friozinho da serra e contemplar a natureza, se desligando da correria dos grandes centros urbanos. O Hotel Parador, por exemplo, é uma joia deste pedaço, com acomodações luxuosas feitas no estilo “casulo” com vista para as serras.

Dois grandes parques são as estrelas daqui, em que oferecem passeios imperdíveis: o Parque Nacional Aparados da Serra e o Serra Geral, que possuem cachoeiras, trilhas, mirantes e famosos cânions.

  • O que fazer? Voar de balão pelos cânions a partir da cidade catarinense de Praia Grande (a 38 km de Cambará do Sul) e conhecer os Parques Nacionais Aparados da Serra e o Serra Geral. Os parques possuem cachoeiras, trilhas e cânions. Os passeios imperdíveis são: Cânion Itaimbezinho, Cachoeira das Andorinhas e o Cânion Fortaleza.
  • Onde ficar? Tanto Praia Grande, cidade em Santa Catarina que fica na base dos cânions, quanto Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul e que fica numa altitude mais elevada, reservam hotéis e pousadas charmosas junto aos parques nacionais e à natureza abundante. Acomodações no melhor estilo “glamping”, chalés, cabanas, bangalôs e até casa de aluguel se destacam entre as opções. Saiba onde ficar na Terra dos Cânions aqui.

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