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Cambará do Sul: uma descoberta pela Terra dos Cânions

Enormes desfiladeiros, cachoeiras e vales de quase mil metros entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina fazem do lugar um dos mais encantadores do país

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Daniela Filomeno no Cânion Itaimbezinho, logo em frente à Cachoeira das Andorinhas (Foto: CNN Viagem & Gastronomia)

Grandiosidade é a palavra que define as maravilhas naturais de Cambará do Sul. Conhecida como a Terra dos Cânions, a pequena cidade de 6.400 habitantes é porta de entrada para o maior conjunto de cânions da América do Sul. Por aqui, desfiladeiros descomunais, cachoeiras, vales de quase mil metros de altura, Mata Atlântica e florestas de araucárias formam paisagens estonteantes que arrepiam qualquer um. E é neste lugar imponente que viajei com o CNN Viagem & Gastronomia*.

O destino impressiona por suas paisagens indescritíveis e lugares desafiadores. A cidadezinha da Serra Gaúcha está encravada em meio a cerca de 69 cânions, com vales muito profundos e lados bem verticalizados, que dividem o planalto gaúcho e a planície catarinense. É uma região definida talvez por opostos que se complementam: a natureza é bruta e selvagem e ao mesmo tempo acolhe e fascina. Distante cerca de 190 km da capital Porto Alegre, o destino é ideal para um turismo de contemplação e aventura, com cenários que garantem um contato íntimo com a natureza e ao mesmo tempo te isola da agitação urbana.

A mais de mil metros acima do nível do mar, a região possui baixíssimas temperaturas, que estão entre as menores do estado do Rio Grande do Sul e até do país. É comum acordar cedinho e ver os dias amanhecerem com uma forte névoa, que deixa tudo mais misterioso e gracioso. Em certos dias, a sensação térmica chega a atingir 0°C logo nas primeiras horas da manhã.

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E para aquecer, nada melhor do que aproveitar os passeios da região. Os principais atrativos que explorei foram os cânions e suas trilhas, que fazem parte de dois principais parques: o Parque Nacional de Aparados da Serra e o Serra Geral, ambos controlados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e de entrada gratuita. É no Aparados da Serra que fica o Itaimbezinho, assim como é no Serra Geral que está o Fortaleza, ambos imensos desfiladeiros que possuem características únicas mas que deixam uma sensação em comum: a de encantamento.

Para além dos cânions, o lugar também reserva outras aventuras: no Parador, hotel luxuoso que trabalha com o conceito de glamping, andei a cavalo e curti um esplêndido pôr do sol. Também andei de quadriciclo, apanhei pinhões nos pés das araucárias e, junto do chef Rodrigo Bellora, do restaurante Alma, colhi grandes cogumelos para degustá-los de maneira fresca – a época da colheita acontece apenas em abril, maio e junho.

Tradição gastronômica

As iguarias gastronômicas não poderiam ficar de fora das maravilhas das redondezas. Junto do chef Rodrigo Bellora, que é natural de Bento Gonçalves e conhece a região como ninguém, descobri uma floresta de pinos que parecia cenário de filme. Ali, colhemos cogumelos gigantes e fizemos uma cogumelada ao ar livre, receita super fresca com outros vegetais e legumes que você pode aprender aqui.

Dani Filomeno colhe cogumelos na Floresta de Pinos
Dani Filomeno com cesta de cogumelos colhidos na Floresta de Pinos (Foto: CNN Viagem & Gastronomia)

No Parador, pude apreciar também um típico churrasco gaúcho feito no método fogo de chão: a fogueira é feita com carvão e lenha de eucalipto ou acácia. As primeiras labaredas surgem e logo os espetos são fincados com as carnes a certa distância. A paleta de cordeiro e a costela ficam horas a fio cozinhando, o que garante um alimento que desmancha na boca. O churrasco acontece no hotel todas as quartas-feiras e sábados e é um resgate da cultura gaúcha.

A Terra dos Cânions também é conhecida como a Terra do Mel, já que Cambará do Sul é um dos maiores produtores do alimento do Brasil. Junto de Seu Irineu, na Casa do Mel, vesti a roupa de apicultor e fui acompanhar o processo das abelhas na colmeia. É lindo! E ainda degustei diferentes tipos de mel: não deixe de provar o branco, uma iguaria na região com sabor muito suave e levemente floral, e o mel de Melato da Bracatinga, este de coloração escura, menos doce e um pouco mais amargo que os méis de néctar floral.

Passeios imperdíveis da Daniela Filomeno

Voo de balão nos cânions

Já voei de balão na Capadócia e também temos esta experiência no interior paulista. Mas, sob os cânions do sul, o passeio torna-se realmente imperdível. É espetacular! O passeio é feito na verdade a partir de Praia Grande, cidade em Santa Catarina que possui as bases dos cânions da região, distante cerca de 38 km de Cambará do Sul. O percurso para a cidade na divisa é feita de carro pela Serra do Faxinal, estrada com a maior parte de chão batido. De duas a 14 pessoas, as agências Canyons & Peraus e a Voe nos Canyons têm saídas diárias no nascer do sol, em que os passeios duram de 45 minutos a uma hora.

Passeio de Balão em Praia Grande (SC)
Daniela Filomeno em passeio de balão na região da Terra dos Cânions (Foto: CNN Viagem & Gastronomia)

Sobre o planalto gaúcho e a planície catarinense, ao longe se avista o Oceano Atlântico. Como uma dança, balões de ar quente coloridos começam a deslizar, contrastando com os paredões verdes do maior conjunto de cânions da América do Sul. A decolagem é no pé da serra e o voo começa a ganhar altitude, igualando-se a altura dos cânions.

No ar, quase dez balões voam tranquilamente, chegando a 1.100 metros de altitude e até 20 km/h. Nas alturas, o calor da chama aquece e a sensação é de paz. O silêncio é rompido pelo barulho do maçarico e as luzes do amanhecer traçam o céu de uma aventura que começou ainda no escuro.

Cânion Itaimbezinho

cachoeira das andorinhas
Cachoeira das Andorinhas no Cânion Itaimbezinho (Foto: Daniela Filomeno)

É no Parque Nacional Aparados da Serra que fica um dos passeios mais imperdíveis da região. De entrada gratuita, o local guarda o Cânion Itaimbezinho, atrativo mais procurado do pedaço e que chama atenção por sua grandiosidade. Seu nome em tupi-guarani entrega algumas características do desfiladeiro: “ita” significa pedra e “aimbé” é aquilo que corta. Com profundidade de até 700m, paredões verticais e fenda estreita, o cânion é um dos maiores das Américas. Suas paredes rochosas são embelezadas ainda pelo verde exuberante da Mata Atlântica, uma combinação super especial.

O relevo é bem singular, caracterizado por grandes desfiladeiros com paredões verticais onde terminam campos suavemente ondulados do planalto. A impressão é que as divisões entre as formações foram feitas a faca, como se fossem peças perfeitamente separadas umas das outras.

Com 13 mil hectares de área, o local ainda possui trilhas e mirantes dignos de paradas para apreciação e fotos. São três trilhas ao todo: do Vértice, do Cotovelo e do Rio do Boi, esta última feita no interior dos cânions com auxílio de um guia. A trilha do Vértice é a mais curta, com cerca de 1,5 km, possuindo um mirante de frente para as cachoeiras das Andorinhas, com cerca de 300 metros de queda, e o Véu da Noiva, com cerca de 500 metros. Há um mirante também logo em cima da Cachoeira das Andorinhas, em que o som da queda das águas é magnífico. Já a trilha do Cotovelo é maior, com 6 km, em que o caminho é plano e fácil, com um mirante que dá para a imagem clássica dos paredões do Itaimbezinho, com o caminho do Rio do Boi no meio e uma bela cascata.

Também dentro do parque, no final da trilha do Vértice, há um café familiar dentro de uma casinha que resiste ali desde 1945. Chamado de Café do Vô Marçal e Artesanato da Vó Maria, o local serve um ótimo pastel de paçoca de pinhão, suco de laranja e até almoço campeiro para quem quiser se recuperar das trilhas no cânion. Um local muito simples mas cheio de alma.

Cânion Fortaleza

Canion fortaleza em Cambará do Sul
Verde encobre o cânion Fortaleza, que fica dentro do Parque Nacional Serra Geral e que possui mais de 7 km de borda (Foto: Daniela Filomeno)

Além do Parque Nacional de Aparados da Serra, outra unidade de conservação nacional situa-se na região: a Serra Geral, também controlado pelo ICMBio. Com formações gigantescas de pedra com camada verde, dentro do parque há o Cânion Fortaleza, formação rochosa de uma beleza natural impactante. É um dos mais bonitos e maiores cânions locais.

O nome vem de seu enorme paredão, que acaba lembrando uma verdadeira fortaleza: são mais de 7 km de borda e quase mil metros de desfiladeiro dentro do parque de 17 mil hectares. Dica: se o dia estiver claro, dá pra ver o litoral gaúcho e a planície catarinense.

Dani Filomeno em piquenique no Canion Fortaleza
Dani Filomeno em piquenique à beira do cânion Fortaleza (Foto: CNN Viagem & Gastronomia)

Há três trilhas que podem ser feitas pelo cânion: a Trilha do Mirante, a Trilha da Cachoeira do Tigre Preto e a da Pedra Secreta, que possuem diferentes extensões e dificuldades. Recomendo a Trilha da Cachoeira do Tigre Preto, de intensidade moderada, em que é possível apreciar a cachoeira de mesmo nome, que possui três quedas d’água e uma altura de aproximadamente 300m.

Ao redor da paisagem impecável, fiz um piquenique à beira do cânion, em uma altitude que passa os mil metros. Ali o silêncio impera e o divertido é notar os ecos pelo desfiladeiro. Com sua grandiosidade e beleza desconcertantes, a Fortaleza é apelidada de Grand Canyon verde, uma referência justa aos cânions avermelhados do Arizona, nos EUA.

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*O programa CNN Viagem & Gastronomia vai ao ar todo sábado, às 21h, na CNN Brasil. A CNN está no canal 577 nas operadoras Claro/Net, Sky e Vivo. Para outras operadoras, veja aqui como assistir. Horários alternativos: domingo, às 03h50, 13h10 e 20h40; Segunda-feira, às 01h10. Ou veja a íntegra no nosso canal no Youtube.


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