Quando poderemos viajar de férias novamente? Especialistas respondem

Experts apontam as tendências para a normalização das viagens a passeio

avião

Por Maureen O’Hare

A aplicação de vacinas contra o coronavírus está em andamento em todo o mundo, mas quando se trata da recuperação das viagens de turismo, ainda há muito o que fazer para estarmos longe do perigo.

Embora os especialistas estejam otimistas de que as coisas começarão a voltar ao normal lentamente ainda este ano, a rapidez com que isso acontecerá dependerá de onde você está, para onde deseja ir e se o vírus e suas cepas mutantes podem ser controlados.

Com tantas incertezas, o mais aconselhável, na maior parte do mundo, ainda é ficar em casa. Não há perigo, entretanto, em olhar para o futuro. Pedimos a especialistas que avaliassem a questão de quando o mundo poderá sair de férias novamente e quando as viagens voltarão ao normal, se isso de fato acontecer.

Quando poderei voar para outros países?
“Há alguns destinos em que os viajantes já podem reservar um voo de longa distância, agora, se quiserem”, diz Bryce Conway, fundador da 10xTravel. “Por exemplo, há voos disponíveis para passageiros dos EUA para destinos como a Albânia e muitas partes do Caribe. Mas não espere que o volume de rotas de longa distância aumente para os níveis anteriores à Covid-19 antes de 2022.”

Nova Zelândia

Alexis Barnekow, fundador e CEO do aplicativo de reservas Chatflights, concorda. “Quase tudo ainda pode ser reservado, com algumas exceções”, diz ele. “Nova Zelândia/Austrália é mais difícil de reservar porque companhias aéreas, como a Qantas, reduziram muito as passagens. “Duas outras companhias aéreas que diminuíram as reservas são a Thai Airways e a Singapore Airlines, (embora isso seja) muito mais por motivos financeiros.”

“Basicamente, todas as outras companhias aéreas estão se esforçando para manter o fornecimento do serviço nos mesmos níveis de antes, a fim de manter seu fluxo de caixa. Você pode reservar, mas o risco de voos cancelados e reprogramação é grande. Dessa forma, as companhias aéreas podem continuar vendendo passagens, e quando as datas de viagem se aproximarem, usar o reagendamento para tentar encher alguns aviões e manter outros no solo.”

As regras de entrada variam de destino para destino, e também conforme o país de saída. Dubai, por exemplo, é um dos destinos mais abertos do mundo, enquanto a Nova Zelândia está entre os mais fechados.

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Os viajantes devem verificar os regulamentos no momento da reserva e, novamente, antes de viajar, e não fazer viagens desnecessárias quando isso for contra a orientação oficial. Quando se trata de viagens de lazer de longa distância, elas devem se ser permitidas e até mesmo aconselháveis a partir do final de 2021, sendo otimista.

A operadora australiana Qantas, uma das grandes companhias de aviação, anunciou na semana passada que planeja retomar os voos internacionais – em escala reduzida – até o final de outubro. O governo do Reino Unido – que tem a maior taxa de mortalidade de Covid na Europa – disse que manterá suas restrições a viagens internacionais até maio, no mínimo.

“O bloqueio será, provavelmente, tão rígido como tem sido, especialmente na Europa, Estados Unidos e assim por diante”, disse Chris Goater, chefe de Comunicações Corporativas da International Air Transport Association (IATA), o órgão global de aviação comercial. “Temos esperança de que haja luz no fim do túnel”, embora “esperemos que o longo curso seja a última coisa a se recuperar”.

Conectar mercados distantes traz o risco de exposição a novas variantes em potencial, com as quais os governos estão compreensivelmente cautelosos, diz Goater. “Muitas viagens de negócios são longas e podem levar algum tempo para se recuperar, já que as empresas estão cuidando do seu caixa”, acrescenta.

E quanto a viagens internacionais de curta distância e as janelas para viagens?
Goater, da IATA, está mais otimista quanto à retomada dos voos de curta distância. Os governos enfrentarão “maior pressão para relaxar as restrições de quarentena para viagens a um país vizinho do que para destinos de longa distância, diz ele. Na Europa, “ocê pode imaginar que poderíamos terminar com algum tipo de acordo em toda a UE, onde os países permitirão a abertura das fronteiras somente no verão, e se as infecções estiverem baixas.”

Dubai, por exemplo, é um dos destinos mais abertos do mundo

Bryce Conway, fundador da 10xTravel, tem sede em Ohio e diz: “Os voos de curta distância vão se recuperar rapidamente, com a maior parte voltando no outono de 2021. Embora haja destinos que aceitarão viajantes dos EUA – alguns com teste de Covid negativo – não prevejo muitas janelas para viagem sendo abertas para os viajantes dos EUA até que a pandemia esteja sob controle.”

Posso viajar internamente?
“Algumas partes do mundo, como China, Índia e Rússia, se recuperaram fortemente no ano passado, em alguns casos voltando aos níveis pré-pandêmicos”, disse Goater da IATA. Com base nessas evidências, ele está otimista de que, conforme as restrições diminuam, as viagens domésticas se recuperarão rapidamente. “Quando o bloqueio não é tão forte, a demanda por viagens domésticas aumenta.” Segundo Conway, dos EUA, “as viagens domésticas já estão se recuperando e veremos essa tendência continuar à medida que as vacinas se tornarem amplamente disponíveis ao público.

James Turner, CEO do serviço global de viagens 360 Private Travel, diz que, para os escritórios de sua empresa em Cingapura e em Hong Kong, as “viagens domésticas” serão “uma grande parte de seus negócios daqui para a frente”. No entanto, no Reino Unido, embora as viagens locais de curta duração, chamadas de staycations, fossem populares no verão passado, “este ano, acredito que a maioria de nossos clientes realmente quer ir para outros lugares”.

Posso fazer uma viagem rodoviária?
“As viagens rodoviárias se tornaram incrivelmente populares no ano passado porque parecem ser a forma mais segura de viajar durante uma pandemia”, diz Conway. “Há um risco extremamente baixo de exposição à Covid-19 se você fizer uma viagem e ficar em um AirBnB com pessoas que moram na mesma casa ou em um hotel que esteja seguindo os protocolos de segurança adequados.”

Que tal um cruzeiro?
“Os cruzeiros são, de longe, o segmento de viagens mais impactado, e vai demorar muito até que voltem ao normal, se é que voltarão”, diz Conway. “A indústria de cruzeiros deixou cair a bola ao tentar voltar muito rápido e perdeu muito a confiança do público ao fazer isso. As pessoas provavelmente também estarão mais preocupadas com a saúde em um mundo pós-Covid-19, e espero que isso esteja acontecendo para trazer mudanças permanentes ​​à indústria de cruzeiros.”

Turner, da 360 Private Travel, tem uma visão mais otimista. “Acho que certos tipos de cruzeiros serão os primeiros (a se recuperar), ao contrário do que algumas pessoas possam pensar.” Experiências tipo boutique em navios de pequeno porte, com condições rígidas de entrada e roteiros cuidadosamente planejados, vai agradar os clientes “porque o ambiente é mais controlado”.

É mais seguro ficar em um hotel ou no Airbnb?

Chipre
Alguns destinos, como Seychelles, Chipre (foto) e Polônia, já suspenderam os requisitos de quarentena para visitantes que possam provar que estão vacinados. (Tunart / Getty Images)

Turner diz que o escritório de sua empresa em Hong Kong viu clientes escolherem viagens curtas com “empresas mais famosas”. Os viajantes se sentem mais felizes em acomodações onde podem ter certeza das políticas rigorosas do hotel em relação a verificações de temperatura, declarações de saúde, uso de máscara, registro de visitas por meio de código QR e assim por diante. “A confiança é muito importante.”

No entanto, como Conway aponta, Airbnbs ou outras opções são aceitáveis, “desde que você não compartilhe acomodações com pessoas que não estejam viajando com você ou que não morem com você”.

Faz diferença se eu for vacinado?
“Ainda não, mas vai”, prevê Conway. “Este será um dos maiores problemas a serem enfrentados pela indústria de viagens nos próximos 12 a 24 meses.”

“Passaportes de vacina”, que podem impor restrições de viagem a qualquer pessoa que não esteja vacinada, é um dos tópicos mais debatidos na indústria de viagens atualmente. Alguns destinos, como Seychelles, Chipre e Polônia, já suspenderam os requisitos de quarentena para visitantes que provarem que estão vacinados.

No entanto, persistem temores sobre a efetiva imunização que as vacinas oferecem, e há polêmicas sobre como a documentação da inoculação pode restringir e segregar, e o que isso significa para aqueles que ainda aguardam suas doses, ou mesmo, que não serão capazes de recebê-las. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, não apoia o conceito de “passaporte de vacina”.

“Nós estamos imaginando que exista um tipo de comprovante vacinal que sirva para quem quer circular novamente, embarcar em um voo, ir a um show e comer em um restaurante”, disse Roderick Jones, presidente executivo da empresa de consultoria de risco com sede em São Francisco Concentric Advisors. “Embora a vacina possa nunca se tornar ‘obrigatória’, pode se tornar muito desvantajoso não tomar.”

O setor de viagens algum dia voltará ao normal?
“Com certeza, sim”, diz Conway. “Espero ver um grande aumento nas viagens no final de 2021, conforme as vacinas se tornem disponíveis em grande escala. Haverá alguns retrocessos conforme a indústria de viagens se recupere e descubra como lidar com a estratégia de longo prazo de combate à Covid-19, mas no geral, espero que as coisas voltem a um estado relativamente normal em meados de 2022.”

“Acreditamos que as viagens de negócios serão menores do que antes, especialmente entre os trabalhadores de grandes corporações”, diz Barnekow. “As grandes corporações têm muitos motivos, além da Covid, para fazer com que as pessoas viajem menos: motivos ambientais, financeiros e morais. Mesmo que nada supere as reuniões olho no olho, a pandemia mostrou que muitos problemas podem ser resolvidos usando outros meios de comunicação. Mas eu ainda acho que vai voltar quase como antes. Se eu tivesse que adivinhar, diria que as viagens de negócios terão uma redução de 10% a longo prazo.”

Quanto às viagens de lazer, Barnekow acha que haverá “um salto no curto prazo, e, depois, veremos os mesmos níveis de antes. Nunca tivemos tanto tráfego para o aplicativo como agora; parece que as pessoas realmente desejam reservar viagens”

Turner concorda, apontando para o grande volume de interesse dos clientes. “Temos evidências de que há uma enorme demanda reprimida. As pessoas querem voar.” Seus clientes estão pensando a longo prazo e sonhando grande.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).