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Roteiro 48 horas: cultura e gastronomia no Centro e na Avenida Paulista em SP

Muito mais que a capital econômica do país, São Paulo é um prato cheio para amantes de arte, cultura e gastronomia. Aproveite o roteiro de 48 horas focado em duas regiões cheias de significado para os paulistanos

Um roteiro para quem tem apenas dois dias em São Paulo
Um roteiro para quem tem apenas dois dias em São Paulo Photo by Joao Tzanno on Unsplash

Tina Binido Viagem & Gastronomia

São Paulo

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São Paulo é uma cidade plural e isso não é novidade para ninguém. Afinal, são mais de 12 milhões de moradores, mais de 90 bairros, mais de 100 museus que oferecem uma verdadeira aula de história do Brasil e do mundo, e inúmeras opções de bares e restaurantes para todos os gostos.

Programas na capital paulista não faltam. E, por isso, elaborar um roteiro para quem tem apenas 48 horas na cidade não é uma tarefa fácil. A seguir, dicas para quem vai curtir a Terra da Garoa pela primeira vez, com programas clássicos, mas que sempre são especiais.

Dia 1, aproveite o Centro

O Centro de São Paulo é de uma riqueza sem fim de história, arquitetura, gastronomia e importantes marcos da cidade. Diferente de outras grandes capitais pelo mundo, os melhores hotéis e opções de hospedagem não ficam nessa região, mas vale pegar o metrô ou um táxi para visitá-lo. Dica importante: não vá com joias e cuidado com os celulares, coloque um tênis ou sapato confortável para andar e aproveite.

Comece em um dos mais conhecidos símbolos paulistas, a Praça da Sé, que é literalmente o coração de São Paulo: ali fica o monumento do marco zero, o centro geográfico da metrópole. Quem também marca presença com sua estrutura imponente é a Catedral Metropolitana de São Paulo, a famosa Catedral da Sé.

Seu interior é majestoso, com inúmeros vitrais, pé direito alto e tetos de estrutura côncava que deixam qualquer um maravilhado. Completando o circuito da fé, não deixe de conhecer o Mosteiro de São Bento, no Largo de São Bento. É uma parada sacra que vale também para quem não é religioso, já que o local possui uma íntima ligação com a história da cidade.

Marcado pelo conjunto arquitetônico da Basílica Nossa Senhora da Assunção, do Colégio de São Bento e da Faculdade de São Bento, as construções que ali vemos hoje não são as mesmas originais de mais de 400 anos atrás: as edificações atuais datam dos anos 1910 e 1912, sendo a quarta construção no terreno. O local é lar também de ao menos 40 monges.

Não deixe de apreciar as missas com cantos gregorianos junto do som do grande órgão alemão, uma das grandes atrações do mosteiro. É de arrepiar! As celebrações ocorrem todos os dias, mas a mais tradicional – e concorrida – acontece às 10h aos domingos. Uma vez ali, vá até a Padaria do Mosteiro, que vende bolos, pães, doces e biscoitos feitos pelos monges a partir de receitas seculares guardadas a sete chaves.

Que tal um brunch no histórico e luxuoso Salão Dourado do Theatro Municipal?  Mas fique atento, pois não abrem às segundas-feiras.

Salão Dourado, local onde é servido o brunch no Theatro Municipal / Divulgação

O Theatro Municipal é um dos principais palcos da cena artística e cultural da cidade: inaugurado em 1911, o projeto de Ramos de Azevedo continua conservado e ativo em sua programação. Oferecem visitas guiadas mediante agendamento.

Aliás, o Centro se tornou um verdadeiro reduto da boa gastronomia com opções para todos os gostos. Desde o premiado A Casa do Porco, sempre com filas enormes e que precisa ir com tempo para aproveitar todo o seu impecável menu-degustação; como a Z Deli e seus hambúrgueres, o Hot Pork, com os melhores cachorros-quentes da cidade, ou ainda uma refeição descontraída no Cora, restaurante urbano com uma cozinha conectada às vivências do campo no topo de um edifício revitalizado, com direito a vista para o Minhocão e o Copan. Não podemos deixar de falar também da comida brasileira do Abaru, no rooftop do Shopping Light, bem no meio do Centro histórico.

Depois vá para a Pinacoteca de São Paulo, o mais antigo museu de arte da cidade, fundado em 1905. Projetado no século 19, a construção ao lado da movimentada Avenida Tiradentes é memorável pelo estilo neoclássico com paredes em tijolos sem revestimento. Dentro, um riquíssimo acervo focado na produção brasileira do século 19, até obras contemporâneas e prestigiadas exposições temporárias.

Fachada da Pinacoteca / Levi Fanan

A Pina, como é carinhosamente chamada, fica bem em frente à Estação da Luz. Cheia de personalidade, a estação foi aberta em março de 1901 e apreciar seu interior é como viajar no tempo! O ar nostálgico se dá pela arquitetura aos moldes de estações inglesas e só somos lembrados que estamos no século 21 pelo vai e vem de trens urbanos e de carga que passam por ali.

Para fechar com chave de ouro, vá ao Farol Santander, uma construção com 161 metros de altura, 35 andares e mais de mil janelas que fazem do Edifício Altino Arantes, antes conhecido como “Banespão”, um dos cartões postais mais famosos da cidade.

Seu interior guarda um acervo de memória e exposições temporárias ao longo dos andares. Logo no salão de entrada, um impressionante lustre de cristal de quase 13 metros, artefato estonteante de se ver. Um dos andares mais concorridos é o 26º: ali, fica o mirante, que possui uma bela vista de São Paulo e, com indicações nos vidros, informa os turistas sobre pontos importantes – é possível vislumbrar lá do alto o Vale do Anhagabaú, o Viaduto Santa Ifigênia, o Pico do Jaraguá, entre outros marcos.

Termine o dia com um bom drinque e petiscos no SubAstor Bar do Cofre, no subsolo do Farol Santander. O bar está instalado dentro do cofre do antigo Banco do Estado de São Paulo, e manteve as características originais, como portas circulares feitas de concreto e aço reforçado, além de pisos e paredes de mármore. Um verdadeiro hotspot para amantes da boa coquetelaria.

Ambiente do SubAstor Bar do Cofre, no subsolo do Farol Santander / Ligia Skowronski

Dia 2, na mais paulista de todas as avenidas

Nica Café oferece itens típico do Nordeste / Tina Bini

Comece o dia com um café em algum dos muitos espaços especiais que a região do Jardins oferece, bem próximo da Paulista, como o Nica Café, que é um misto de café, padaria e restaurante e que oferece itens típicos do Nordeste, vindo semanalmente de Recife.

Ou na Padoca do Maní, da premiada chef Helena Rizzo, local imaginado como uma casa de interior com cheirinho de bolo assando no forno. Para as primeiras horas do dia, há desde quitutes triviais até itens como avocado toast, torta de abóbora com cogumelos ou ainda ótimos combinados. Finalize com os bolos imperdíveis de coco molhadinho ou o cremoso de chocolate.

Masp, na Av. Paulista, tem o mais importante acervo de arte europeia do Hemisfério Sul / Reprodução/Facebook

Uma vez em São Paulo, conhecer a Avenida Paulista é obrigatório, afinal, é a mais paulista de todas as avenidas. Com quase 3 km, por lá ficam pontos icônicos como o MASP – Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947 pelo empresário e mecenas Assis Chateaubriand (1892-1968), tornando-se o primeiro museu moderno no país.

Chateaubriand convidou o crítico e marchand italiano Pietro Maria Bardi (1900-1999) para dirigir o MASP, e Lina Bo Bardi (1914-1992) para desenvolver o projeto arquitetônico e expográfico.

Mais importante acervo de arte europeia do Hemisfério Sul, hoje a coleção do museu reúne mais de 11 mil obras, incluindo pinturas, esculturas, objetos, fotografias, vídeos e vestuário de diversos períodos, abrangendo a produção europeia, africana, asiática e das Américas.

No segundo subsolo do museu, em uma área ampla e com enormes janelões fica o restaurante A Baianeira, da chef Manuelle Ferraz. Vale parar para uma refeição completa ou apenas para tomar um café e apreciar um dos pães de queijo mais famosos cidade, afinal, Manuelle é mineira e tem uma receita imperdível do petisco.

Ainda na Paulista fica o IMS – Instituto Moreira Salles que abriga aproximadamente 2 milhões de imagens, sendo responsável pelo mais importante conjunto de fotografias do século 19 no Brasil, e a melhor compilação da fotografia nacional das sete primeiras décadas do século 20, com grandes nomes como Marc Ferrez e Marcel Gautherot. Por lá também fica o restaurante Balailo, com cozinha sertaneja do famoso chef Rodrigo Oliveira, que também está à frente do Mocotó.

Japan House São Paulo / Estevam Romera

Criada pelo governo japonês, a Japan House é um ponto de difusão de todos os elementos da genuína cultura japonesa para a comunidade internacional e parada certeira na Paulista.

São Paulo foi uma das três localidades escolhidas, juntamente com Londres, na Inglaterra, e Los Angeles, nos Estados Unidos, para receber o projeto que visa propagar todas as características do Japão, desde a cultura milenar até as perspectivas inovadoras e oferecer um intercâmbio intelectual entre o Japão e o resto do mundo.

Aizomê, restaurante de culinária japonesa comandado pela chef Telma Shiraishi / Rafael Salvador

Por lá também fica uma unidade do restaurante Aizomê, da chef Telma Shiraishi, que apresenta culinária nipônica e mescla com precisão técnica, ingredientes locais e sazonalidade consistente, baseada no respeito às técnicas tradicionais com toques autorais e aliada ao omotenashi – o melhor da hospitalidade japonesa.

O conjunto da obra rendeu à chef, que também está à frente da cozinha do Consulado do Japão em São Paulo, o título de Embaixadora para Difusão da Cultura e Culinária Japonesa, concedido pelo governo japonês. Telma é a primeira profissional brasileira e uma das raras mulheres no mundo a receber a honraria.

Andar pela Avenida Paulista é um programa que todo turista deve fazer. Vale parar na Casa das Rosas, uma mansão construída em 1935 em estilo clássico francês e que, hoje, transformou-se em um museu que se notabiliza pelo trabalho de difusão e promoção da literatura de escritores muitas vezes deixados de lado pelo mercado, além da oferta de oficinas e cursos de formação para aqueles que pretendem se tornar escritores ou aprimorar sua arte.No seu lindo jardim tem um café para uma pausa.

Ainda tem o Instituto Itaú Cultural, o Sesc Av. Paulista com um mirante no 17º andar, grandes shoppings e cinemas, o Parque Trianon… Ou seja, é possível passar literalmente o dia inteiro na Av. Paulista!

Exposição no Museu do Futebol homenageia goleiros, em especial Moacyr Barbosa / Site oficial

Se você for apaixonado por futebol vale sair um pouco da Paulista e ir até o Museu do Futebol, que fica próximo, entre 10 e 15 minutos de carro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu. A exposição principal do Museu do Futebol é um percurso envolvente e emocionante pela história do esporte e do Brasil. São quinze salas que ocupam 6 mil metros quadrados e instigam o visitante a experimentar sensações e compreender por que, no Brasil, o futebol é mais do que um esporte: é nosso patrimônio, parte de nossa cultura e de nossa identidade.

Icônico Riviera Bar / Divulgação

Para fechar o dia, se ainda tiver energia, é possível aproveitar alguma das salas de cinema ou teatro pela Paulista, e depois tomar um drinque no Riviera Bar, um icônico local da cidade que marcou gerações.

Inaugurado em 1949 no térreo de um edifício modernista, o Anchieta, o local tornou-se nas décadas seguintes um ponto de encontro agitado entre artistas e intelectuais e recebeu grandes nomes do cenário nacional como Chico Buarque, Toquinho e Elis Regina. Localizado nas esquinas das Avenidas Paulista e Consolação, o Riviera Bar reabriu recentemente e agora funciona 24horas.


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