Paraty: conheça a história e dicas práticas para sua viagem

Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade, cidade histórica encanta pelo seu charme, tranquilidade e diversidade de atividades; saiba quando ir, onde se hospedar e o que fazer em sua passagem por lá

Um dos lugares mais requisitados do Brasil para o turismo, Paraty é perfeita para seus dias de lazer. Seja por um fim de semana, dez dias ou um mês, a cidade reserva um mundo de oportunidades para ser desbravado. De acordo com a publicação Demanda Turística Internacional no Brasil, do Ministério do Turismo, a cidade esteve na lista dos dez destinos mais procurados por turistas estrangeiros que estiveram no país a passeio em 2019, ano que antecedeu a pandemia. Sol e praia, cultura, natureza, ecoturismo e aventura foram as principais motivações para essa escolha, segundo o levantamento.

Mas outras inúmeras razões poderiam ser citadas para Paraty atrair tantos olhares e interesses. É uma cidade que reúne tudo o que há de melhor: passear, comer bem e, de quebra, poder conhecer e ver parte importante da história e da economia do desenvolvimento do Brasil diante dos próprios olhos

Andar pelas suas ruelas de pedra é como uma aula. Não à toa, ganhou o título de Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco em 2019.

As charmosas ruas históricas do centro de Paraty (foto: Adobe Stock)

Seu conjunto arquitetônico de estilo colonial, suas casinhas brancas de janelas coloridas e casarões tão próprios, carregam inúmeras referências e simbologias – muitas vezes até misteriosas, desvendadas pelos guias turísticos da região em passeios disponíveis pela cidade.

Localizada no litoral fluminense, Paraty tem grande parte do município dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Ela, aliás, é o único lugar onde o parque chega ao mar, em Trindade, como explica o guia Renan de Jesus Pinto da Silva, que exerce a profissão em sua cidade natal desde os anos 1980.

“Essa proximidade congrega o histórico com o natural, e é possível realizar trilhas pela mata e ter acesso a belas cachoeiras. Ainda no entorno, há a possibilidade de visita aos alambiques de produção da aguardente de Paraty, tão famosa em nossa história tupiniquim”, ressalta.

História. O guia explica ainda que há divergências entre os historiadores sobre a data de fundação da cidade. Segundo suas pesquisas, ela teria começado como um vilarejo, no alto do Morro da Vila Velha, em 1531. Mais tarde, com o crescimento, foi descendo para a região em que hoje está seu centro, que se desenvolveu ao redor de uma igreja dedicada à Nossa Senhora dos Remédios, em um terreno doado por uma senhora chamada Maria Jácome de Mello, já por volta de 1640.

“Ela fez essa doação com a condição que fosse construída essa igreja pela devoção de sua família à Nossa Senhora dos Remédios. Além disso, exigiu que os índios da região tivessem livre acesso entre a montanha e o mar. Essa área em que hoje está o centro histórico de Paraty vai das margens do Rio Perequê-Açu ao Paratitiba até a subida da serra. Segundo documentos, Paraty passou a ser uma vila emancipada por meio de uma carta régia de 1667. Seu primeiro nome foi Vila Nossa Senhora dos Remédios de Paraty”, conta Renan.

“A igreja, apesar de estar no mesmo lugar e trazer a mesma simbologia, já não é mais a original (menor, feita de taipa e sapê). A atual construção é a terceira matriz no local, terminada em 1863”, completa.

A importância econômica da cidade se inicia no período colonial, com o ciclo do ouro e sua passagem obrigatória por Paraty. Seus engenhos – com a produção de aguardente e açúcar – e também a trilha do café – que saía obrigatoriamente do porto da cidade após sua produção no Vale do Paraíba – são momentos-chave da movimentação e da vida econômica da cidade. Após um período de crise, o encerramento dessas atividades e a falência de Paraty, o “ciclo do turismo” chegou para ficar nos anos 1970, após a construção da BR 101, hoje chamada estrada Rio-Santos.

 

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Para além do Centro Histórico. Frutos do mar fresquíssimos diretamente para a mesa, drinques gostosos para apreciar vendo o pôr do sol e diversas opções de passeio disponíveis, Paraty vai além de seu centro histórico. Ela oferece grandes prazeres, como pegar um barco e sair para mergulhar em uma das enseadas de sua enorme e exuberante baía, tomar um banho em uma de suas inúmeras e cristalinas cachoeiras em um dia de calor, caminhar no fim da tarde pela beira-rio, remar de stand up na Praia do Jabaquara, caminhar até a Praia do Sono por uma trilha pela mata atlântica, alugar uma bicicleta e pedalar sem rumo.

Quer programar sua viagem para lá? Então anote as dicas:

COMO CHEGAR?

Paraty está localizada no litoral fluminense. Se você mora no eixo Rio-São Paulo, sua chegada fica mais fácil. Caso você more fora desses estados, a dica é pegar um avião até uma dessas cidades. São cerca de 270 quilômetros da capital paulista e 240 quilômetros da Cidade Maravilhosa: basta um carro ou um ônibus e aproveitar a estrada. O que muita gente não sabe é que Paraty fica muito próxima de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Se você estiver por lá, vale a pena fazer um bate-volta, porque são apenas 70 quilômetros de distância.

Paraty também tem um aeroporto para aviões de pequeno porte. No fim de janeiro, a companhia aérea Azul começou a disponibilizar voos diretos partindo de São Paulo e Rio de Janeiro. Para mais informações, como horários e valores, acesse o site oficial da empresa.

ONDE SE HOSPEDAR?

Por ser uma cidade turística, opções de hospedagem não faltam. Há para todos os bolsos; mas, se você não dispensa conforto e sofisticação, separamos ótimas sugestões que farão sua estadia ser incrível.

Casa Turquesa

Casa Turquesa
Um dos locais mais tradicionais para se hospedar, a Casa Turquesa fica no Centro Histórico de Paraty (Foto: reprodução Instagram)

Em um casarão secular, o hotel-butique está a poucos passos do centro histórico. As amplas janelas e os balcões dão charme ao espaço, assim como os tradicionais telhados típicos das residências coloniais. Ao redor da casa estão as montanhas, a Igreja de Santa Rita, construída em 1722, a baía de Paraty e suas ilhas. A isso, somam-se os confortos da hotelaria contemporânea, como os lençóis de algodão egípcio, as cores quentes, que colorem todo o hotel, e os materiais naturais, como madeira e pedra, para dar vida aos móveis e ares de praia chique à casa.

Rua Doutor Pereira, 50 / Tel.: (24) 3371-1037

Pousada Literária

Situada no coração do centro histórico, a Pousada Literária é tombada pelo Patrimônio Histórico e um convite ao descanso cercado por sofisticação. Exuberância natural também é outro ponto alto do destino, que é oficial da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) desde 2012. A literatura, aliás, dá o tom da casa. Não à toa, há uma grande biblioteca por lá e o restaurante chama-se Quintal das Letras, super-requisitado e aberto ao público.

Rua do Comércio, 362 / Tel.: 24 3371-1568

Casa Mar

A caminhada até a praia dura cinco minutos. Um pouco mais adiante está o centro histórico. A ótima localização é apenas um dos diferenciais desta pousada, que está dentro de uma charmosa vila de pescadores. A piscina, por exemplo, tem vista livre para o mar e de lá vislumbra-se o pôr do sol. A decoração minimalista confirma a sofisticação e o conforto de todo o espaço garante dias de relax absoluto.

Rodovia BR 101, 565

Casa Mar tem piscina com vista para o mar e muito conforto (Foto: reprodução Instagram)

Rodovia BR-101, 565

Casa Colonial

Também nas construções históricas de Paraty, este hotel-butique está na badalada Rua Geralda, tem um jardim encantador e é dividido em dois: a Casa Simon, com cinco confortáveis suítes, e a Casa Colonial 12, com três grandes quartos, ambas igualmente luxuosas e decoradas com esmero e aconchego máximo.

Rua Dona Geralda, 200 / Tel.: (24) 97401-8036

Casa Colonial 12 tem três grandes quartos aconchegantes para sua estadia. Há outras opções de acomodações no hotel (Foto: reprodução Instagram)

O QUE FAZER?

Paraty é gastronomia, é história, mas também é passeio! A empresária Tetê Etrusco, proprietária da Casa Turquesa, um dos lugares mais procurados para se hospedar, conhece a cidade como ninguém e separou uma lista de passeios imperdíveis. Para mais detalhes sobre qualquer um deles, pergunte na recepção do hotel em que se hospedar.

City tour

Andar sem pressa pelo centro de Paraty, apreciar o artesanato, tomar um sorvete, conversar com os locais é quase obrigatório.

Passeio de barco

Passear de barco em Paraty também é um programa tradicional. A vista para a mata atlântica durante toda a extensão da baía é incrível. Há diversas opções de embarcações, que podem ser contratadas de forma particular no Porto de Paraty. Existem também diferentes percursos que podem ser escolhidos.

Mergulho

Se você é um adepto do mergulho ou morre de vontade de experimentar, as águas da baía de Paraty são perfeitas! Com pouca sorte você poderá ver inúmeros peixes, estrelas-do-mar, tartarugas e raias.

Caminhada

Se você gosta de caminhar e não tem medo de subida, uma excursão pelo saco do Mamanguá por terra e mar é muito legal. A escalada do pico, para ter aquela vista espetacular, ou navegar em canoas canadense pelo manguezal são dois programas sensacionais! Faça em diferentes dias.

Praias imperdíveis

Visitar a Praia do Sono, Antigos e Antiguinhos será um passeio bem legal para quem gosta de caminhar e curte praias lindas e selvagens.

Cachoeira

Mais aventura? Descubra uma das lindas cachoeiras por aqui com vista para o mar. A chegada é muito difícil, tem que ter um bom preparo físico, mas é deslumbrante! Cachoeira do Saco Bravo. Aconselhamos ir com um guia e só se você for mesmo bem aventureira e esportista.

Outros passeios

E tem mais: passeios a cavalo, jipe tour, aulas de cerâmica, visita as comunidades caiçaras ou ao quilombo, observação de aves, caminhada com biólogo para conhecer as maravilhas que nossa floresta oferece como a diversidade se cogumelos. Passar no dia em Cunha visitando os ateliers de cerâmicas pode ser um dia gostoso.

Rodovia Rio- Santos km 565,5 – Praia Grande – Paraty (RJ)/Telefone: (24) 99822-3737

QUANDO IR?

Paraty fica em uma região que é conhecida por seu verão extremamente quente e chuvoso e seu inverno com temperatura mais amena. A dica é aproveitar a cidade em ocasiões em que ela não esteja tão cheia, como feriados e férias escolares. Se tiver a opção de pegar dias de semana, aproveitará ainda mais tudo o que ela oferece. A época ideal para fazer passeios de barco é a mais seca, que vai de junho a setembro. Mas saiba que a chuva pode ser companhia presente a qualquer momento de sua estadia.