por: Viagem e Gastronomia Viagem e Gastronomia

Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Países estão aceitando cada vez menos papel moeda; saiba o que fazer

    O cartão de débito internacional virou item obrigatório e mais econômico em viagens para países como Suécia, Inglaterra, Austrália e Holanda, que lideram a lista de destinos que caminham para se tornar "cashless"

    Com países aceitando cada vez menos moedas físicas, cartões de débito internacionais viram solução para viajantes e oferecem vantagens
    Com países aceitando cada vez menos moedas físicas, cartões de débito internacionais viram solução para viajantes e oferecem vantagens Divulgação Pexels

    Daniela Caravaggido Viagem & Gastronomia

    São Paulo

    Ouvir notícia

    Entre tantos itens ao planejar uma viagem, uma das principais preocupações dos turistas é sobre quanto, em moeda local, deverá gastar por dia.

    É verdade que cada viajante tem um perfil e o custo final dependerá do estilo de viagem – e claro, se já pagou certos passeios, passagens e hospedagens antecipadamente. Entretanto, há um questionamento em comum entre todos: qual é a melhor forma de levar dinheiro na hora de viajar?

    Por muitos anos, a ideia de ter a moeda física, já trocada no bolso, era a predominante. Apesar dos riscos clássicos, de perda ou roubo, as pessoas se sentiam mais à vontade ao desembarcarem no destino já com a quantia que deveriam gastar, além dos impostos serem muito menores do que se optassem pelo uso do cartão de crédito.

    Nos últimos anos, porém, essa opção ganhou um novo ponto de atenção: alguns países estão deixando de aceitar o dinheiro físico como forma de pagamento.

    Suécia, Finlândia, China, Coreia do Sul, Inglaterra, Austrália e Holanda lideram a lista de sociedades que caminham para serem “cashless”. Não é incomum você andar por inúmeras cidades desses países e se deparar com placas de “não aceitamos dinheiro”.

    Muitos especialistas acreditam que em breve alguns países eliminarão até 100% o papel moeda e todas as transações serão de formas digitais – a Suécia é grande candidata para se tornar a primeira.

    Segundo estudo do Conselho Europeu de Pagamentos, as transações em dinheiro representaram apenas 1% do PIB do país em 2019.

    “Enxergo esse avanço como inevitável por uma série de fatores, como segurança e praticidade. É importante ressaltar, entretanto, que tudo depende da estrutura sociodemográfica e nível de confiança da população do país para que a digitalização aconteça de forma predominante. O quanto as pessoas confiam entre si e também nas instituições do país é um ponto muito relevante”, ressalta Arthur Igreja, especialista em Tecnologia, Inovação e Tendências.

    Segundo ele, o Brasil, por exemplo, tem um número enorme de desbancarizados. “Muitos têm medo de deixarem seus dinheiros em banco e isso é reflexo ainda de um passado que sofreu com mudanças de planos econômicos”.

    Além disso tem a questão tecnológica. Um estudo recente divulgou que mais de 400 cidades do Brasil não têm 4G e 40 milhões de pessoas não usam a internet.

    “Em países com menos desigualdades sociais e uma uniformidade maior, renda maior, a realidade é totalmente diferente. As soluções tecnológicas estão cada vez mais presentes e muitos lugares vão chegar perto dos 100% em relação a pagamentos digitais. Precisamos sempre estar atentos e pesquisar quando vamos visitar um local novo”, continua Igreja.

    Para Samuel Ferreira, CEO da Meep, empresa especializada em soluções de pagamento cashless no Brasil, a pandemia acelerou a transição para o “futuro sem dinheiro”.

    Segundo dados de uma pesquisa Global Transformation Amid Turbulent Undercurrentes, os pagamentos em dinheiro caíram 16% enquanto as transações cashless aumentarem em 6% de 2020 para 2021.

    Para Ferreira, “o uso fora do Brasil é um start nas novas tecnologias que vêm sendo desenvolvidas para o mercado de pagamentos, mas ainda é só a ponta de tudo o que ainda há para oferecer, como Inteligência Artificial, open finance, blockchain, IOT e muitos mais.”

    Suécia caminha para se tornar primeiro país a ter cidades em que 100% das operações serão cashless / Unsplash

    Cartões de débito internacionais são tendência mundial

    Então, qual a melhor solução para levar o meu dinheiro em uma viagem?

    Os especialistas ouvidos pela CNN Viagem & Gastronomia são unânimes ao dizer que os cartões de débito internacionais são, sem dúvida, a melhor opção encontrada hoje em dia.

    Algumas fintechs globais passaram a oferecer recentemente aos brasileiros a possibilidade de abrirem contas no exterior morando no Brasil. Nessas contas, que são abertas de formas muito simples, o usuário consegue comprar moedas de diferentes países – dependendo da empresa – com taxas muito mais atrativas do que os bancos tradicionais ou casas de câmbio.

    “Vai viajar hoje? Minha opinião é que você precisa fazer um cartão de débito internacional, além da segurança, você vai economizar. Há muitas fintechs e novos bancos digitais que oferecem o serviço e todos têm a política de conta internacional. Você pode comprar a moeda e deixar na conta. O IOF (Imposto sobre operação financeira) é de 1,1%, enquanto transações de cartão de crédito são de 6,38%. O spread (taxa de serviço) também existe nesses “novos” cartões, mas giram em torno de 2%, enquanto os outros bancos ou casas de câmbio podem chegar até 6%. Com certeza hoje é a opção mais atrativa”, ressalta Daniel Cavagnari, Economista e coordenador dos cursos de gestão financeira na Era Digital da Uninter.

    De forma resumida, hoje, se você utilizar seu cartão de crédito no exterior, irá gastar logo de cara 6,38% de IOF a cada transação que fizer, além de ter de pagar taxas bancárias elevadas, que podem chegar até 10% a mais do que gastaria.

    Na nova opção, você pagará um imposto menor a cada compra da moeda que fizer e a taxa de serviço é muito menor, o que fará você economizar.

    Ainda segundo o professor, as vantagens de usar um cartão de crédito são mínimas. “Soma de pontos e a possibilidade de pagar depois são as únicas, na minha opinião”, diz.

    Ele ressalta que, apesar de hoje em dia muitos locais não aceitarem o dinheiro físico, é importante que o viajante leve uma quantia de segurança em espécie. “Você também sairá perdendo um pouco, mas menos do que no cartão de crédito”, ressalta.

    Muitos bancos novos e fintechs não cobram taxa de abertura para novas contas internacionais. Essa opção já é febre e classificada como uma tendência que veio para ficar – os players do mercado estão cada vez mais competitivos.

    Dinheiro físico tem sido cada vez menos usado em viagens ao exterior, entretanto, levar quantia mínima em espécie ainda é conselho de especialistas / Unsplash

    Como funcionam os cartões de débito internacionais?

    Há inúmeras opções para quem busca esse tipo de serviço hoje no Brasil. Algumas das fintechs mais conhecidas do mercado são: as brasileiras Nomad, C6 Bank e BS2GO, a americana Avenue e a inglesa Wise. Em todas, o processo é muito parecido para a abertura da conta.

    São necessários documentos como comprovante de residência no Brasil, CPF e também o pré-requisito de que o usuário já tenha uma conta aberta em outro banco, uma vez que a maioria só recebe transações para conversões feitas pela mesma titularidade.

    De todas as mencionadas, o único que cobra uma taxa para abertura é o C6 Bank – exceto para os já clientes. São US$ 30 desembolsados para a inscrição, além de uma transferência inicial mínima de US$ 100 – o BS2GO também tem um valor mínimo de depósito para abertura, mas mais acessível: de US$ 10.

    Todas as empresas mencionadas oferecem tanto o cartão digital como o físico e é possível fazer saques em diferentes países. Além dos benefícios em viagem, ter uma conta em outra moeda também te possibilita economizar em compras em sites estrangeiros, por exemplo.

    Das empresas mencionadas, a Wise e o C6 Bank são multimoedas, o que significa que o usuário pode comprar tanto euro quanto dólar (entre outras moedas) e deixar na conta. Isso não quer dizer que em outros países que não aceitam essas moedas, o cliente não conseguirá efetuar pagamentos com as outras empresas, mas terão de pagar a conversão e outras taxas a cada transação que fizerem.

    Vale destacar que todas oferecem o câmbio de retorno e os clientes podem trazer as quantias de volta para uma conta bancária do Brasil mediante à taxa, claro.

    Ao programar uma viagem ao exterior, turista precisa se atentar a melhor maneira de levar o seu dinheiro; cartões de débito hoje são a melhor opção, segundo especialistas / Unsplash

    Brasil ganhará uma nova opção até o fim do ano

    Fundada em 2015 em Londres, a fintech Revolut é a grande promessa do ano no Brasil. É uma das plataformas mais completas da Europa. Nasceu com a ideia de ser uma alternativa bancária digital que fosse melhor do que os bancos tradicionais e, hoje, está em 35 países, oferecendo serviços como cartão de débito, crédito, conta multimoedas, seguros, criptoativos, além de uma plataforma de investimento e pagamentos por “peer to peer”, em várias moedas, como um “PIX internacional”.

    A empresa já está em pré-operação no país e entrará competitiva no mercado – já são milhares de usuários pré- cadastrados e com posição na “waiting list”.

    O diferencial da fintech em relação a outras são os serviços que oferece. Ela também não será apenas voltada para pessoas que querem comprar a moeda para viajar ou para fazer compras em sites internacionais: também servirá como banco daqueles que recebem em outra moeda.

    “Por morar fora do Brasil por muito tempo, sempre soube das dores em relação a pagamentos até mesmo dentro da Europa. Era só viajar para Suíça ou Inglaterra, por exemplo, e já tinha que organizar as transações, que eram caras e demoravam”, diz Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil.

    Ele conheceu a Revolut quando trabalhava em um banco tradicional e tornou-se cliente pelos benefícios e facilidades que oferecia, pois “encontrava tudo em um mesmo lugar, economizava nas transações de câmbio sempre mais rápidas e baratas”.

    “A ideia é que comecemos a operar ainda este ano, preferencialmente antes da “Copa do Mundo”, se possível, mas o mais importante é entregar a solução completa para o cliente no tempo que for necessário”, ressalta.

    Ele explica que os brasileiros terão todo suporte de equipes baseadas no país e também fora. O primeiro produto que irão lançar será a chamada conta global. Ao contrário das demais citadas na matéria, as transações para essa conta poderão ser feitas por outra titularidade, possibilitando que pessoas recebam em outras moedas, por exemplo.

    Possibilidade de reserva de hotéis, restaurantes, cashbacks, entre outros benefícios e funcionalidades fazem parte da Revolut e também deverão ser implementados no Brasil, além do cartão de débito. Por ter um ganho de escala maior, suas taxas tendem ser ainda mais competitivas do que as das empresas já existentes.

    Banco digital para imigrantes brasileiros

    Além de turistas que visitam a Europa todos os anos, mais de 1,3 milhões de brasileiros residem no território, segundo levantamento feito pelo Ministério das Relações Exteriores em 2020.

    Muitos deles estão indo para Dublin, na Irlanda. Casa, emprego e uma conta bancária são os grandes problemas destes expatriados. Instituições europeias burocratizam o processo de abertura de contas, tornando o processo lento e caro para os recém-chegados.

    Um grupo de brasileiros residente da Irlanda, que sentiu na pele todas essas dificuldades, viu uma oportunidade de mercado no país e fundou um novo banco digital que começará a operar ainda em agosto.

    O Move Pay permitirá abertura de contas bancárias fora do Brasil e possibilitará que o expatriado faça qualquer tipo de movimentação – incluindo recebimento de salários.

    “Queremos ser a solução para os imigrantes. Não queremos mais que eles encontrem barreiras. Os intercambistas precisam comprovar quando chegam que estão com pelo menos 3 mil euros na imigração para poder entrarem. Muitos deles não têm conta digital que oferecem esse serviço e vêm com a quantia em dinheiro, o que é muito perigoso. Somos a primeira empresa com essa autorização na Europa. Eles já chegarão no país com tudo certo”, ressalta Lucca Tortato, CEO da Move Pay.

    “Estamos nos tornando um banco global. Já podemos operar na Europa inteira. Queremos também operar no Brasil e América Latina e um terceiro passo nos Estados Unidos. Mais do que um banco, queremos ser um parceiro do imigrante na jornada fora de seu país”, completa.


    Mais Recentes da CNN