Turistas vacinados dos Estados Unidos poderão aproveitar o verão na Europa

União Europeia está aberta a receber turistas do país após mais de um ano; presidente da Comissão Europeia afirmou ao The New York Times que decisão será possível devido a taxa de imunização acelerada dos dois lados do Atlântico

Foto de praia artificial em Paris durante o verão ao lado do Rio Sena
Paris Plages, praia artificial na capital francesa ao longo do rio Sena que é instalada durante o verão europeu (Foto: Getty Images)

O turismo na Europa começa a ganhar horizontes mais visíveis com o avanço da vacinação contra a Covid-19 no mundo. Desta vez, turistas norte-americanos totalmente vacinados poderão viajar para o continente a partir do verão no Hemisfério Norte, que começa em 21 de junho. A informação foi divulgada no fim de abril pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma entrevista para o The New York Times.

Esta será a primeira vez em mais de um ano que cidadãos norte-americanos poderão visitar a Europa para atividades não essenciais, já que as fronteiras do continente estavam fechadas desde o início da pandemia para conter o avanço da doença. De acordo com a chefe da Comissão, a decisão será possível devido ao ritmo acelerado da imunização nos Estados Unidos: cerca de 43% da população total do país já foi vacinada com pelo menos uma dose contra a Covid-19 até dia 28 de abril, o que corresponde a mais de 142 milhões de pessoas. Os dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) apontam ainda que 37,8% da população igual ou maior de 18 anos já foi totalmente vacinada, o que corresponde a 97,5 milhões de pessoas.

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“Isso vai permitir o movimento livre de pessoas e as viagens para a União Europeia (…). Uma coisa é clara: todos os 27 Estados-membros aceitarão, incondicionalmente, pessoas vacinadas com doses autorizadas pela Agência Europeia de Medicamentos [EMA]” disse a chefe do Executivo da UE. As doses autorizadas pela agência reguladora sanitária do bloco e usadas nos EUA são a Moderna, a Pfizer/BioNTech e a Janssen.

Ela comentou ainda que os Estados Unidos estão “no caminho certo” e fazem um “grande progresso” com a campanha de vacinação que, de acordo com projeções, pode alcançar a marca de 70% dos adultos vacinados até meados de junho.

Ainda não foi dado um prazo oficial para a retomada do turismo entre os continentes nem um plano detalhado de como isso acontecerá. Porém, as afirmações de Von der Leyen ao NYT apontam para certos alívios nas restrições atuais impostas por conta da pandemia e abrem uma esperança para uma recuperação econômica através do turismo europeu.

  • Retomada do turismo

Na entrevista ao jornal norte-americano, Ursula Von der Leyen ressaltou ainda que a decisão sobre reabertura de fronteiras para turistas vacinados dependerá da situação epidemiológica em ambos os lados do Atlântico. Até o momento, viagens não essenciais para a União Europeia estão proibidas, com exceção de alguns países com número baixo de casos do vírus, como Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul.

O retorno gradual de visitantes vacinados à Europa possibilitaria um impulso financeiro muito desejado por cidades e países que dependem majoritariamente do turismo, principalmente os que ficam na margem sul do continente. A Grécia, por exemplo, se antecipou e anunciou na semana passada que já abriu suas fronteiras para turistas norte-americanos vacinados, suspendendo a quarentena obrigatória e exigindo teste negativo para Covid-19.

Malta, país no Mediterrâneo, chegou a anunciar um plano inusitado para a retomada da economia local a partir do verão europeu. Muito dependente do turismo, o governo local pagará para que turistas vacinados visitem suas ilhas, com valores voltados para o consumo de comidas e bebidas dentro dos hotéis.

  • Passaporte da vacina

Para maior controle da doença e pela restauração do movimento entre países, a União Europeia tem estudado fornecer os chamados “passaportes da vacina”, em que o documento dirá se o indivíduo já foi imunizado, se recuperou-se da Covid-19 recentemente ou testou negativo nos últimos dias para a doença. O documento seria válido para todos os 27 países que compõem o bloco.

Os comentários de Von der Leyen para o NYT contam que a Comissão Europeia deverá recomendar uma mudança de políticas, mas ela não será vinculante: cada país, se considerar necessário, terá a possibilidade de adotar restrições mais duras.

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  • Situação do Brasil

O Brasil não foi citado nas falas da presidente da Comissão Europeia, assim como a vacina CoronaVac distribuída pelo país até o momento, fabricada pela Sinovac, ainda não foi aprovada pela agência reguladora sanitária da União. Isso significa que brasileiros vacinados com imunizante da fabricante chinesa provavelmente serão impedidos de entrar na UE por enquanto, ao contrário dos estadunidenses – que recebem doses de outras vacinas aprovadas.

Atualmente, o brasileiro pode viajar sem qualquer restrição para sete países do mundo: Afeganistão, República Centro-Africana, Albânia, Costa Rica, Macedônia do Norte, Nauru e Reino de Tonga. No entanto, 101 é o número de destinos em que viajantes do Brasil podem entrar com restrições moderadas, ou seja, fazendo teste PCR e preenchendo formulários e certificados. Alguns deles: Antíga, Ilhas Bahamas, México e Egito.

As informações da Skyscanner junto da Associação Internacional de Transporte Aéreo ainda apontam que outros 117 países impõem bloqueios fortes aos turistas brasileiros, ou seja, pessoas partindo do Brasil estão com a entrada suspensa.