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Presidente da U.S. Travel Association quer diminuir para 10 dias a espera pelo visto no Brasil

À CNN Viagem & Gastronomia, Roger Dow afirma que a vacinação nos Estados Unidos é um empecilho para o turismo e é enfático ao pedir ao governo Biden o fim da exigência dos testes pré-partida

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Saulo Tafarelodo Viagem & Gastronomia

Orlando, Flórida

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A exigência de testes de Covid-19 para entrada nos Estados Unidos por viajantes internacionais vacinados tem sido uma grande barreira para o turismo do país, assim como a demora na emissão dos vistos para os turistas brasileiros.

É o que acredita Roger Dow, presidente da U.S. Travel Association, autoridade de turismo estadunidense. Além dele, mais de 40 prefeitos de grandes cidades norte-americanas, de Miami a São Francisco, enviaram uma carta conjunta nesta semana ao governo do presidente Joe Biden pedindo a remoção dos testes antes da partida.

“Nossos eleitores e nossos negócios sofreram muito com o declínio acentuado nos gastos com viagens internacionais e não podem se recuperar totalmente até que esse setor vital da economia dos EUA se recupere”, endossa a carta.

Durante a IPW 2022, maior feira de turismo dos Estados Unidos, realizada este ano em Orlando, na Flórida, Roger Dow foi enfático em seu posicionamento ao dizer que o requisito de testes pré-partida é um “obstáculo desnecessário” e grande impedimento para viajar para o país.

De acordo com a associação de turismo dos EUA, mais de 40 nações ao redor do mundo já suspenderam o requisito de testes para entrada de viajantes sem afetar negativamente a saúde pública, mas o fim da exigência dos testes continua sem data no país norte-americano.

“Há muito trabalho pela frente, mas o governo deve começar revogando imediatamente o requisito de teste antes da partida para todos os viajantes aéreos internacionais vacinados e tomando medidas para reduzir drasticamente os tempos de espera do visto”, afirmou Dow durante coletiva sobre o novo plano estratégico de turismo americano para os próximos cinco anos – que deve atrair mais de 90 milhões de turistas até 2027.

Pesquisa mostra insatisfação com exigência

Em maio, uma pesquisa encomendada pela U.S. Travel Association com viajantes da França, Alemanha, Reino Unido, Coreia do Sul, Japão e Índia revelou que 47% dos entrevistados provavelmente não viajarão para o exterior nos próximos 12 meses, e citaram os requisitos de teste antes da partida como motivo.

A pesquisa ainda mostrou que 54% dos entrevistados disseram que a incerteza adicional de ter de cancelar uma viagem devido aos requisitos de teste antes da partida teria um impacto negativo na probabilidade de visitar os EUA.

A U.S. Travel também projeta que 46% dos viajantes internacionais teriam maior probabilidade de visitar os Estados Unidos se os requisitos de testes pré-partida fossem suspensos.

Assim, a remoção do requisito traria um aumento de 20% de visitantes para o verão norte-americano ante os números previamente esperados, o que significaria meio milhão de visitantes adicionais a cada mês.

“As pessoas que vêm para os EUA têm de estar 100% vacinadas. Menos de 70% da população daqui é vacinada, então continuo dizendo que os brasileiros estão mais protegidos do que as pessoas que vivem em NY, por exemplo”, disse Dow à CNN Viagem & Gastronomia.

A associação ainda destaca que as chegadas internacionais aos EUA estão muito abaixo dos níveis pré-pandêmicos e não devem se recuperar para os níveis de 2019 até 2024.

Demora na emissão dos vistos

Para o presidente da U.S. Travel, a resposta para um dos maiores obstáculos que os brasileiros enfrentam para entrar nos EUA é simples: a demora na emissão dos vistos.

“É o maior problema que nós temos, tirar o visto para os Estados Unidos do Brasil agora está demorando muito, muito tempo”, ressalta Dow.

Dados apresentados na IPW mostram que o Brasil, um dos maiores mercados emissores de vistos para os Estados Unidos e que mandou 2,1 milhões de visitantes para o país em 2019, possui um tempo médio de espera de cerca de 262 dias para emissão do documento. Para se ter uma ideia, a espera pode chegar a 750 dias – cerca de dois anos – na República Dominicana e até 529 dias na Argentina.

“Precisamos resolver isso. A comunidade de viajantes brasileiros é fenomenal para nós. Eles gostam de viajar, gostam de gastar dinheiro e de vir para os EUA”, fala Dow. 

Mas então como deixar os processos mais rápidos e eficientes? Tecnologia e entrevistas on-line estão entre as saídas, segundo ele.

“Temos que usar mais tecnologia e encontrar maneiras de fazer entrevistas com as pessoas pela internet. Por que elas têm de ficar em uma fila em um consulado dos EUA para uma entrevista individual?“, indaga o presidente da associação de turismo norte-americana.

Assim como com o fim dos testes de partida para os EUA, conversas têm acontecido para pressionar o governo norte-americano a realizar mudanças.

“O governo precisa definir uma meta, vamos ter de reduzir esse tempo [de espera] de mais de 400 dias para 10 dias. Já fizemos isso antes, então tem de ser uma prioridade do governo. Estamos pressionando muito porque, caso contrário, os brasileiros não querem vir para cá, vão para o Panamá, para o México, vão para outro lugar”, finaliza.


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