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Semana de 22: conheça os locais onde artistas e intelectuais se reuniam em SP

O Theatro Municipal foi o grande palco para o evento, mas outros pontos ficaram marcados para sempre por terem sido escolhidos por esses artistas na época; relembre

Centro de São Paulo possui diversos pontos por onde os intelectuais circularam, há 100 anos
Centro de São Paulo possui diversos pontos por onde os intelectuais circularam, há 100 anos Divulgação

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São Paulo

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A Semana de Arte Moderna de 1922 completa 100 anos neste mês. A ocasião reuniu um conjunto de apresentações musicais, literárias e conferências que se intercalavam às exposições de escultura, pintura e arquitetura no Theatro Municipal de São Paulo, e até hoje é considerada um marco para o Modernismo no Brasil. Mas a pergunta que fica é: por que São Paulo foi escolhida para sediar um evento tão importante, e não o Rio de Janeiro, capital da República à época?

“O início do século 20 foi marcado por inúmeras mudanças. Uma delas, de repercussão no mundo todo, foi a Primeira Guerra Mundial. As vanguardas nascem exatamente neste período. Busca-se através da arte uma nova forma de acompanhar essas mudanças. E o Brasil é marcado nesse momento pelo nascimento das fábricas e pela produção cafeeira. Essa força agroexportadora transforma o Estado de São Paulo em novo centro econômico brasileiro”, explica a historiadora e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Mirtes de Moraes.

“Embora a cidade do Rio de Janeiro fosse considerada a força política do país por ser a capital do Brasil à época, São Paulo se posiciona como força econômica, símbolo da modernidade e do progresso. Sendo assim, a capital paulista foi o palco dos eventos da Semana de Arte Moderna, que contou com o patrocínio de diversos membros da burguesia industrial que ali se consolidava”, completa.

O ano de 1922 marca também o Centenário da Independência do Brasil. Assim, o cenário era ideal para a renovação artística nacional. Aos olhos dos modernistas, o Brasil que se transformava e se modernizava precisava de um novo olhar artístico, sociocultural e filosófico que propusesse uma arte nacional original e atualizada, trazendo consigo um pensamento a respeito dos problemas brasileiros.

Oswald de Andrade, Ronaldo de Carvalho, Anita Malfatti, entre muitos outros renomados artistas participaram da Semana de 22 no icônico Theatro Municipal da cidade, local que não o único que marcou o evento.

Na obra “1922 – A Semana que Não Terminou”, de Marcos Augusto Gonçalves, o jornalista revela espaços em São Paulo que foram emblemáticos e por onde circulavam artistas e intelectuais para discutirem suas ideias. Confira alguns deles e saiba se ainda existem.

Hotel de La Rotisserie Sportsman

Quem passa pelo Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, dificilmente não é impactado pelo Edifício Matarazzo, construído pelo Conde Matarazzo entre 1937 e 1939. O endereço, que desde 2004 é sede da Prefeitura da Capital, entretanto, já abrigou outras construções importantes.

Um destes palacetes, de 1913, era a sede do Hotel de La Rotisserie Sportsman. Segundo a obra de Gonçalves, o icônico e refinado hotel da época era por onde circulavam e se hospedavam muitos artistas da Semana de 22.

Endereço em que está localizada a sede da Prefeitura de São Paulo abrigava um refinado hotel em que circulavam artistas da Semana de 22 / José Cordeiro SPTuris

Casa do escritor Mário de Andrade

Segundo a historiadora Mirtes de Moraes, outro lugar que era ponto de encontro dos artistas é a casa do escritor Mário de Andrade, na Barra Funda. Hoje, ela funciona como Oficina Cultural do Governo de São Paulo e integra a Rede de Museus-Casas Literários da cidade.

Foi reaberta ao público em 2015, no 70º aniversário de morte de escritor, com a inauguração da exposição de longa duração “A Morada do Coração Perdido” – que inclui objetos pessoais de Mário, móveis originais da Casa, textos, fotos e vídeos.

Quem visitar o local poderá também encontrar as exposições de curta duração e participar de atividades de formação e difusão cultural que contemplam os focos de atuação de seu patrono.

Casa de Mario de Andrade foi reaberta para visitação em 2015 e também era um dos pontos de encontro dos artistas da Semana de 22 / Divulgação

Villa Kyrial

Outro ponto da cidade que a historiadora Mirtes de Moraes destacou foi a Villa Kyrial, residência de José de Freitas Vale, que estava localizada no bairro da Vila Mariana.

A mansão foi um reduto cultural onde aconteciam reuniões de intelectuais na capital paulista no início século. A Villa Kyrial foi vendida em 1960 e demolida em 1961. Hoje, no local – trecho da avenida Domingos de Morais que faz esquina com a rua Dr. Eduardo Martinelli -, está localizado um edifício residencial.

Vila Fortunata

Antiga residência do mecenas René Thiollier, na Vila Fortunata, na Avenida Paulista, eram promovidos jantares e saraus frequentados por artistas e intelectuais. Ela foi demolida em 1972. Hoje, no local, está localizado o Parque Mario Covas.

Em 1991, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP) iniciou o processo de tombamento do imóvel e estabeleceu diretrizes para sua ocupação. O parque preserva uma das áreas verdes da região da Avenida Paulista e sua implantação foi realizada em parceria com a Subprefeitura da cidade.

Jardim da Vila Fortunata virou o Parque Mario Covas, na Avenida Paulista / Divulgação/Secretaria do Verde e do Meio Ambiente

Garçonnière de Oswald de Andrade

Considerado um dos “berços” do modernismo brasileiro, a Garçonnière de Oswald de Andrade funcionava como um ponto de encontro de jovens escritores, muito cortejado pela alta sociedade da época. Era lá que as ideias eram discutidas, em encontros animados. Estava localizada no 3º andar de um prédio rua Líbero Badaró, no centro da cidade. O prédio ainda existe.

 


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