O que fazer com as milhas enquanto não podemos viajar? Experts respondem

Pontos acumulados? Milhas prestes a vencer? Especialistas contam tudo o que você precisa saber para não perder dinheiro

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(Foto: Getty Images)

O último estudo feito pela ABEMF (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização), no terceiro trimestre de 2020, aponta um crescimento no acúmulo e maior queda histórica de milhas expiradas. Em números: 55,2 bilhões de pontos foram acumulados no período, o que representa um crescimento de 31,6%. Desses, 97,2% foram acumulados em compras no varejo, na indústria e no uso dos cartões de crédito, alternativa bastante utilizada pelos usuários. “Todo gasto que você tem no seu dia a dia pode virar milhas. Desde uma conta de luz até a compra do mercado. Tudo pontua. As pessoas acham que tem que ter um cartão “surreal”, mas não precisa”, quem diz é Lucas Estevam (@EstevamPeloMundo), referência no mercado de viagens dentro e fora do Brasil. Estevam é craque no assunto e, por isso, influencia milhões de seguidores em suas contas no Instagram, Youtube e no seu blog, estevampelomundo.com.br, no ar há 8 anos.

A taxa de breakage, que mede o percentual de pontos/milhas que os consumidores deixaram expirar, foi a menor da série histórica da Associação, 12,2%. “A primeira opção (para que isso não aconteça) é vender para grandes portais que compram milhas ou esperar uma boa promoção de produto para resgate, porque, sem dúvidas, a melhor forma de usar as milhas é sempre viajando!”, acredita Estevam. Rodrigo Góes, especialista em milhas e autor do livro O Mapa para Acumular 1 Milhão de Milhas, incrementa dizendo que um dos caminhos também é “identificar onde esses pontos estão. Se estão acumulados no cartão de crédito, por exemplo, basta transferir para um programa de fidelidade de uma companhia aérea, e a validade é renovada automaticamente.”

Lucas Estevam na primeira classe da Qatar Airways (Foto: Arquivo Pessoal)

Em terra firme. Por causa da pandemia da Covid-19 é melhor não viajar. Mas até que possamos fazer isso novamente, a solução é continuar trabalhando suas milhas da melhor maneira e sonhando com o próximo destino a ser desbravado. Estevam ajuda nessa missão partilhando uma viagem inesquecível conquistada só com o uso de milhas: “voei na Primeira Classe da Qatar Airways no maior avião do mundo e paguei o equivalente a R$ 2.500. Foi um dos dias mais marcantes pra mim. Foi quando me dei conta do poder que milhas + conhecimento nos dão!”

Conhecimento este que Rodrigo Góes também compartilha a seguir, respondendo dúvidas sobre o que fazer com as milhas até podermos embarcar novamente:

O que fazer com as milhas enquanto não podemos viajar?
Basicamente, você tem 3 opções:
– Aproveitar esse momento para acumular milhas. Como o setor está praticamente parado, os programas de milhas estão com muitas vantagens neste momento, buscando fidelizar os clientes. Um deles são as milhas bônus, que normalmente podem ser usadas em 6 meses, agora estão estendendo os prazos de 1 até 3 anos para utilização. Quem souber acumular agora, vai aproveitar promoções no futuro, quando as viagens voltarem.

– Vender as milhas. Neste caso, vale pesquisar bastante. Isso porque como muitas pessoas estão vendendo, o valor oferecido pela compra não está dos melhores. Mas isso não quer dizer que não valha a pesquisa nas plataformas de venda, como a MaxMilhas. O preço do milheiro (mil milhas), pode variar de R$17 até R$32, conforme a companhia aérea. Ah, existem prazos de pagamento das milhas. Quanto antes você escolher o recebimento do dinheiro, menos vai conseguir pelas milhas, então procure se organizar para optar por um prazo mais longo.

– Trocar por produtos de lojas parceiras e serviços. Essa também é uma opção desde que você faça as contas: calcule se ganharia mais trocando pelas milhas que possui ou vendendo-as e, com o dinheiro, comprando o item em questão. Você pode usá-las como um auxílio no orçamento doméstico, trocando por eletrodomésticos, abastecimento de veículos, por exemplo. Eu sempre indico a seguinte conta: valor do milheiro x o valor do produto. Se as milhas valem mais do que o valor normal do produto, não vale a pena fazer essa compra.

Segundo uma pesquisa realizada pela ABEMF, 63% dos brasileiros que resgataram suas milhas e pontos, usaram esse benefício para descontos em compras em lojas parceiras.

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Como não perder dinheiro com as restrições de viagens?
Neste momento, podemos perder dinheiro de duas formas: deixando as milhas expirarem por não podermos viajar; ou por conta das hospedagens que foram feitas e passagens compradas anteriormente e não puderam ser usadas. No caso das milhas, uma forma de não deixar elas expirarem, é utilizá-las de outras formas, tais como trocar por eletrodomésticos, como expliquei acima, ou fazer doações, crédito combustível/Uber ou, vender essas milhas.

Mas, se sua preocupação for não perder o dinheiro já investido nas passagens e hospedagens, saiba que as regras sobre elas são bem flexíveis, mas é importante se atentar a alguns detalhes, por exemplo: no caso da hospedagem, busque sempre opções que tenham o cancelamento gratuito na hora da compra. Isso vale também para as passagens. É possível alterar a data do voo, algumas companhias cobram taxas de cancelamento, mas elas são flexíveis para remarcações.

Acumulei milhas em diferentes locais. Qual a melhor alternativa para unir tudo?
Hoje isso não é possível porque cada programa de fidelidade é independente. O que dá para fazer no caso dos pontos acumulados em programas de fidelidade de bancos, é transferir esses pontos para o programa de uma só companhia aérea. Mas gosto de ressaltar que não é ruim ter milhas acumuladas em diferentes locais porque cada um deles possuí benefícios diferentes e atende locais diferentes. Se você busca diferentes destinos, o indicado é acumular em diferentes programas de companhias nacionais. A não ser que você vá sempre para o mesmo lugar, para a mesma cidade, ou a maioria dos voos do aeroporto da sua cidade sai por uma única companhia. Aí, neste caso, vale a pena centralizar os pontos. Senão, compensa muito diversificar.

Qual o maior erro que as pessoas cometem com suas milhas?
Deixar vencerem. Quando isso acontece, você está, literalmente, jogando dinheiro fora. Nós, brasileiros, ainda deixamos uma média de 51 bilhões de milhas expirarem por ano! No último trimestre, segundo levantamento da ABEMF, tivemos um aumento de 31,6% no acúmulo de pontos e milhas, isso é ótimo! Mas precisamos estar atentos ao prazo de validade delas e fazer das milhas uma renda extra ou um investimento.

(Foto: Getty Images)

Como começar a juntar milhas? Devo investir nelas agora?
Existem algumas formas de acumular milhas. A mais conhecida é viajando, mas estamos impossibilitados de fazer isso no momento. Há outras formas e, diferente do que muitas pessoas imaginam, não é preciso gastar mais dinheiro para fazer isso:

Cartão de crédito: fazendo compras e participando dos programas de fidelidade deles. Com a opção de adiantamento da fatura, ao invés de realizar o pagamento das compras pelo cartão de débito, você pode pagar no crédito, acumular pontos para trocar por milhas, e antecipar o pagamento da fatura. Assim, você não perde o controle de gastos do cartão.

Compra de milhas: assim como você pode vender milhas, você também pode comprar. Neste caso, vale pesquisar as oportunidades de milheiros com valores mais baixos.

Clube de milhas: as companhias aéreas têm seus próprios clubes de milhas. Participando deles, você também consegue acumular esses pontos.

Produtos e serviços: você também acumula milhas comprando de lojas parceiras do seu programa de fidelidade. Entre as opções, tem a compra de eletrodomésticos, eletrônicos, abastecendo o carro em postos associados e até usando aplicativos como o Uber.

Vale a pena passar tudo no cartão de crédito para acumular milhas? Por quê?
Sim, mas eu sempre reforço a importância de fazer uma organização financeira. De nada adianta usar o cartão de crédito para acumular milhas, se você se atolar em dívidas. A primeira coisa, é pesquisar qual cartão vai atender melhor suas necessidades. Muitos possuem programas de fidelidade e você não precisa nem pagar anuidade por eles.

Jamais pague o mínimo da fatura, isso vira uma bola de neve no seu orçamento. Tomando esses cuidados, vale a pena passar as compras no crédito. O gasto já iria acontecer, mas agora, ao menos, você tem o bônus de acumular as milhas.

Tenho muitas milhas para vencer, mas não quero comprar passagem agora. O que fazer?
Identifique onde esses pontos estão. Se estão acumulados no cartão de crédito, basta transferir para um programa de fidelidade de uma companhia aérea, e a validade é renovada automaticamente. Agora, se as milhas estão acumuladas na companhia aérea, a opção é realmente utilizar dentro desse programa. Você pode doar as milhas para instituições sociais cadastradas no programa, por exemplo. Hoje você consegue utilizar as milhas para muitas coisas além da emissão de passagens aéreas. Contei mais acima!

Posso reagendar passagens compradas com milhas?
Sim! As passagens hoje em dia são flexíveis e você consegue reagendar uma vez sem custo.

Qual o melhor programa de milhagens e por quê.
Brinco sempre que o melhor programa de milhagens é igual ao melhor sapato: não existe! Risos. Vai depender muito do seu objetivo. Uso sempre essa comparação porque, no caso dos sapatos, tudo vai depender da sua necessidade: se você quer usá-los para correr, o ideal são os tênis; para uma festa, pode ser um sapato com salto ou social. Enfim, não existe apenas um modelo ideal.

O mesmo vale para os programas de fidelidade: depende muito do destino que pretende visitar. Por exemplo, no interior do país, a Azul opera em mais aeroportos. se você mora por lá, o melhor programa pode ser o deles. Agora, se você pretende viajar para a África, a Latam vai ser sua melhor escolha, principalmente para a África do Sul. Os fatores que você precisa levar em consideração são: o destino que pretende visitar e o aeroporto mais próximo para você. Por isso, não existe melhor programa de fidelidade, tudo depende do seu objetivo final.

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