Depois de 20 anos em obras, Museu Judaico de SP abre as portas neste domingo

Espaço cultural propõe diálogo com o contexto brasileiro e inaugura exposições fixas e temporárias, acervo com dois mil objetos doados pela comunidade, e uma biblioteca

Exposições temporárias e de longa duração fazem parte das atrações do novo Museu Judaico de São Paulo
Exposições temporárias e de longa duração fazem parte das atrações do novo Museu Judaico de São Paulo Fernando Siqueira

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São Paulo

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Depois de quase dez anos de obras e vinte de planejamento, o Museu Judaico (MUJ) de São Paulo tem data certa para abertura: neste domingo, 5 de dezembro. Com quatro andares expositivos, que abrigam mostras permanentes e temporárias, o museu ocupa a Sinagoga Beth-El, prédio em estilo bizantino projetado em 1929 e que fica na rua Martinho Prado, no centro da capital paulista – a apenas alguns passos das casas da Famiglia Mancini.

O inscrito na fachada da antiga sinagoga deixa clara a mensagem que o novo espaço cultural quer transmitir: “Esta é a casa de todos os povos”.

Fruto de uma iniciativa da sociedade civil existente há quase duas décadas, o museu abre para visitação com o objetivo de cultivar tradições, memórias, histórias e valores da cultura judaica traçando um diálogo com o contexto brasileiro.

Um dos pilares do MUJ é o comprometimento com a coexistência entre variados grupos sociais e identidades, promovendo o combate à intolerância e ao preconceito por meio de iniciativas educacionais – o local possui uma sala educativa no subsolo e proporciona visitas mediadas, oficinas, contação de histórias, leituras, encontro com professores, cursos e palestras.

Acervo e exposições

O museu abre para o público com quatro exposições, duas temporárias e outras duas permanentes, e um acervo fixo – são cerca de dois mil itens entre vestimentas, documentos, objetos, obras de arte, discos e livros, a maior parte doados pela própria comunidade judaica.

Entre os objetos estão um conjunto de talheres de prata usados por oficiais alemães no campo de concentração de Auschwitz e um fragmento do século 16 de uma Torá. A biblioteca fica no mezanino e contém uma coleção com mil títulos sobre história, arte e também gastronomia.

A exposição temporária “Da Letra à Palavra”, em cartaz até junho de 2022, traz 32 artistas brasileiros de arte contemporânea que se debruçam na relação entre arte e escrita, imagem e palavra – Beatriz Milhazes e Arnaldo Antunes são alguns nomes que colaboraram com a mostra.

Outra exibição temporária é “Inquisição e Cristãos-Novos no Brasil: 300 anos de Resistência”, que revela a luta dos cristãos-novos para reconstruir suas vidas no Brasil durante os 300 anos da Inquisição. Recheada de documentos, a mostra ajuda a demonstrar como os muitos judeus que foram obrigados a migrar e a se converter publicamente mantiveram clandestinamente práticas e crenças judaicas em espaços privados.

“A Vida Judaica” é a primeira exposição de longa duração, que apresenta ao público costumes e rituais pelos quais o judaísmo se conecta com o sagrado, transpassando questões de tempo, de estudo, festividades e alimentação.

Igualmente de longa duração é “Histórias Trançadas”, mostra sobre os fluxos migratórios judaicos para o Brasil ao longo de 500 anos. A exposição inclui uma reprodução de uma Torá que pertenceu a Dom Pedro II encontrada na Quinta da Boa Vista, antiga residência imperial no Rio de Janeiro.

Os ingressos para entrada no museu tem preço médio sugerido de R$ 20, com a meia entrada correspondente a R$ 10, mas os visitantes podem escolher valores maiores ou menores. Em respeito ao Shabat, dia sagrado de descanso para os judeus, o sábado terá entrada gratuita para todos.

Um café de comidas judaicas com vista para o Viaduto Martinho Prado sobre a Avenida Nove de Julho e uma lojinha com roupas e livros complementam as atrações.

Templo Beth-El

Fachada do templo erguido no centro de São Paulo no final da década de 1920/Foto: Fernando Siqueira

Na esquina da rua Avanhandava, o museu ocupa o templo Beth-El, prédio projetado em 1929 e finalizado em 1932 por iniciativa de um grupo de imigrantes vindos da Europa, que convidou o arquiteto Samuel Roder para conceber uma sinagoga.

Um de seus detalhes peculiares é que ela possui sete lados, o que remete aos sete dias da Criação e às sete cores do arco-íris. Considerando valores patrimonial, histórico, arquitetônico e simbólico, a construção foi tombada em 2013 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (CONPRESP).

Museu Judaico de São Paulo (MUJ)
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 19h
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/70324
Site: https://museujudaicosp.org.br/

Endereço: Rua Martinho Prado, 128 – Bela Vista, São Paulo – SP


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