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    Delta Arlines investirá US$ 1 bilhão para se tornar neutra em carbono até 2050

    Terceira maior do mundo, companhia aérea norte-americana tem investido em medidas para atenuar os impactos da aviação, seja com compensações de carbono ou com planos de uma gestão mais diversa

    Divulgação/Delta

    Saulo Tafarelo*do Viagem & Gastronomia

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    Muito se fala sobre o destino, mas pouco sobre os caminhos para se chegar até ele. Além da compra da passagem, do check-in, da espera no portão de embarque e do momento da decolagem e pouso, muitos são os trajetos enfrentados no mundo da aviação para que tudo saia como planejado – e tenha o mínimo de impacto possível.

    Um desses caminhos é justamente o da sustentabilidade, conceito que, inclusive, está no foco do consumo atual, fugindo de ser apenas uma simples tendência de mercado.

    Segundo dados da Air Transport Action Group, a aviação responde hoje por 2,1% das emissões de carbono produzidas pelo homem e é responsável por cerca de 3,5% das emissões de aquecimento do planeta.

    Para atenuar esse panorama, companhia aéreas têm apostado em investimentos que equilibram esses impactos. Uma delas é a Delta Airlines, a terceira maior do mundo, com uma frota de mais de mil aeronaves e mais de 135 milhões de passageiros transportados.

    Empresa norte-americana que atua na aviação desde 1925, em 2020 a Delta se comprometeu a ser a primeira companhia aérea neutra em carbono do mundo. Já no ano seguinte, conseguiu compensar toda sua pegada de carbono, segundo o primeiro relatório ESG da marca.

    “Os viajantes não deveriam ter que escolher entre ver o mundo e salvar o mundo. Podemos fazer os dois”, afirmou o CEO da empresa, Ed Bastian, no documento.

    Iniciativas a longo prazo

    A compensação de carbono é um dos caminhos adotados por grandes companhias aéreas que operam voos ao redor do mundo para tentar equilibrar a balança.

    A Delta comprometeu US$ 1 bilhão em investimentos de longo prazo para se tornar, até 2050, uma empresa neutra em carbono. Isso significa que ela atua junto de projetos de compensação de carbono e, futuramente, poderá incluir novas tecnologias de sequestro desse gás.

    A medida vai de encontro com a resolução da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) de zerar as emissões de carbono até 2050 – que se alinha também com a meta do Acordo de Paris, que propõe a redução nas emissões de gases de efeito estufa para limitar o aumento médio de temperatura global.

    Segundo a IATA, o compromisso de zerar as emissões implica que um total acumulado de 21,2 gigatoneladas de carbono deverá ser reduzido entre agora e 2050.

    Delta transportou 135 milhões de passageiros em 2021 e investiu US$ 1 bilhão para reduzir emissões de carbono / Divulgação/Delta

    Outra frente de atuação que ajudará no crescimento sustentável é o incentivo ao uso de combustíveis sustentáveis em detrimento daqueles provenientes de fontes fósseis tradicionais. Aqui entra em cena o combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).

    Em poucas palavras, ele reduz em cerca de 75% as emissões de CO₂ quando comparado ao combustível fóssil e é feito de recursos sustentáveis, como óleos residuais de origem biológica. O resultado é um combustível mais limpo, que possui uma baixa emissão de partículas finas – importante para atestar a qualidade do ar.

    O uso deste combustível, porém, ainda possui alguns entraves na aviação: a produção é pequena e seu custo é mais elevado. Apesar das dificuldades gerais do mercado, a Delta, por exemplo, se comprometeu em substituir 10% do combustível de aviação convencional pelo SAF até o final de 2030 – ele também pode ser misturado aos combustíveis convencionais para reduzir emissões gerais.

    “Hoje, o SAF é nossa melhor oportunidade para gerar reduções significativas nas emissões das viagens aéreas, mas o mercado precisa de investimento e envolvimento de todas as partes interessadas”, disse em comunicado a diretora executiva de sustentabilidade da empresa, Pam Fletcher.

    Com o apoio de fornecedores, a companhia trabalha para garantir a compra de aproximadamente 400 milhões de galões de SAF pelos próximos anos. Um deles é a Gevo, empresa estadunidense do Colorado que deve fornecer 75 milhões de galões do SAF por ano durante os próximos sete anos – segundo a Gevo, o acordo deve gerar aproximadamente US$ 2,8 bilhões em receita.

    O SAF é uma tecnologia fundamental para o setor atingir suas metas de emissão zero 

    Pam Fletcher, diretora executiva de sustentabilidade da Delta

    A parceria com clientes corporativos para alcançar a meta também se faz presente no Brasil: em novembro passado, a Delta assinou com o BTG Pactual seu primeiro acordo corporativo de combustível de aviação sustentável (SAF) na América Latina.

    Fabricantes de aeronaves, como as gigantes Boeing e Airbus, também entram na discussão e têm construído aviões cada vez mais eficientes. De olho nisso, a companhia aérea aposentou mais de 200 aviões nos últimos dois anos e têm introduzido novos modelos.

    O exemplo é o A321neo, que possui melhoria esperada de 20% na eficiência de combustível em relação ao seu antecessor – a Delta espera receber 26 modelos da última geração neste ano e possui cerca 155 compromissos de compra até 2027.

    Experiência dentro do avião

    E não é somente nas operações que a visão de um futuro menos nocivo ao meio-ambiente é exercido. A partir deste ano, clientes da classe executiva da companhia recebem kits com amenidades feitos por artesãos do México com uso de técnicas ancestrais.

    Parece simples, mas a iniciativa possui um zelo com os produtores e a sustentabilidade: os estojos reduzirão o uso anual de plástico em até 41 mil toneladas, eliminando cinco itens de plástico de uso único, como zíperes e embalagens.

    Feitos em parceria com a marca Someone Somewhere, o acordo apoia negócios administrados por minorias e mulheres e fortalecem as comunidades vulneráveis onde são produzidos. Um dos pontos mais interessantes é que os clientes podem conhecer o artesão que criou o kit por meio de um QR Code na etiqueta e até enviar-lhe uma mensagem.

    Kits de amenidades distribuídos nos voos são feitos por artesãos de comunidades no México com técnicas ancestrais / Divulgação/Delta

    Junto dos kits, as roupas de cama foram substituídas por tecidos vindos de materiais reciclados, como garrafas PET, e os utensílios de serviço, como garfos, facas e colheres, são reutilizáveis ​​e biodegradáveis. Segundo a empresa, a mudança reduzirá o consumo anual de plástico descartável a bordo em mais de 2,2 milhões de toneladas.

    Relações de trabalho

    A sustentabilidade também atravessa as relações humanas e de trabalho. Parte da agenda futura da Delta promete criar postos de trabalho para minorias subrepresentadas e aumentar a diversidade de sua equipe ao longo do tempo.

    Alguns frutos já foram colhidos: em 2019, a companhia ficou entre as melhores dos Estados Unidos no quesito “melhor local de trabalho para mulheres” e “melhor local de trabalho para diversidade” no levantamento da Great Place to Work, consultoria global que avalia grandes empresas.

    Números da empresa, porém, revelam que dos mais de 75 mil funcionários, 41% são mulheres. No total, negros representam 25% do quadro de funcionários ante 53% do número de brancos. Segundo o presidente da companhia, esse ainda não é um quadro ideal.

    “Essa não é uma imagem de equidade, nem reflete o mundo que servimos. Como líder, assumo esse desempenho e me comprometo a corrigir nosso rumo à medida que nos tornamos uma empresa mais justa, igualitária e antirracista”, declarou em comunicado o CEO da empresa.

    Logo, tal cenário deve mudar no futuro próximo: uma das metas é aumentar a porcentagem de líderes negros e dobrar o percentual de negros como diretores e em cargos de autoridade até 2025 – além de um comprometimento de uma maior representação negra no Conselho de Administração.

    Seja em terra ou no ar, tais passos de uma empresa global podem acarretar em paradigmas para que outras companhias do setor ou de grande porte também mudem suas condutas. Afinal, um futuro mais equitativo e sustentável é a rota que veio para ficar.

    *O jornalista viajou para Orlando em junho deste ano a convite da companhia aérea


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