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Beam Suntory traz gins espanhóis e linha de destilados japoneses ao país

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Por Artur Tavares

Da Europa ao Oriente: em nova fase no Brasil, Beam Suntory traz gins espanhóis e linha de destilados japoneses ao país

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Gim Larios (Foto: divulgação)

A terceira maior empresa de destilados do mundo, o conglomerado Beam Suntory preparou uma série de lançamentos para este último trimestre de 2019 no Brasil. A empresa, responsável pelos bourbons Jim Beam, pela tequila Souza e pelos scotches Teachers e Laphroaig, desembarca por aqui o gim mais famoso da Espanha, o Larios, além de uma linha de destilados japoneses que inclui o uísque Chita, a vodca Haku e o gim Roku.

O movimento agressivo faz parte do novo momento da Beam Suntory, que até o ano passado tinha seus produtos distribuídos por aqui pela Bacardi (e, antes disso, pela Pernod). Ao tomar a decisão de assumir o controle da operação, a marca se livrou das amarras dos concorrentes, podendo aumentar seu portfólio para linhas que não podiam explorar antes. “Sabíamos que para crescer na velocidade que queríamos, levar a Beam Suntory para ser a terceira maior distribuidora de destilados do Brasil – a mesma posição que tem no mundo – teria que ser assim. Para chegar nisso, só conseguiríamos chegar através de uma estrutura própria, que nos habilitasse ter controle da operação”, explica Walter Celli, CEO da empresa aqui no país.

De janeiro até setembro, quando conversei com Celli no escritório paulistano da Beam Suntory, as vendas dos produtos da marca já haviam aumentado 60% em relação ao ano anterior, e a linha Jim Beam havia superado o uísque escocês Jameson em sua posição no mercado. Para esse novo momento, a empresa diz ter adotado uma estratégia baseada na inovação: “A Beam Suntory tem uma ideia de mercado que é olhar para categorias que são grandes, e explorá-las através de um ângulo diferente.”

O primeiro produto a chegar por aqui neste último trimestre do ano é o Larios. “O gim bomba no Brasil, e poderíamos escolher trazer para cá o Sipsmith, um London Dry superpremiado, mas escolhemos não, porque seria um a mais”, diz Celli. “Então, estamos trazendo Larios, que tem um espírito mediterrâneo, que é mais leve, mais fácil de tomar, com uma graduação alcoólica reduzida, que é mais mixável. Tem um espírito de verão, de praia, a um preço acessível.”

Produzido na Espanha há mais de 100 anos, o Larios é um gim que tem características muito mais alinhadas aos gins feitos aqui no Brasil, de graduação alcoólica de 40%, com bastante teor de botânicos cítricos, que favorecem na hora de fazer gim tônicas. Ao mesmo tempo, o Brasil recebe o Larios Rosé, que adquire tom rosado através do uso de morangos naturais na destilação, e o Larios 12. Topo de linha, esse gim tem em sua fórmula zimbro, os cítricos tradicionais, além de flor de laranjeira, noz moscada, raiz de angélica e sementes de coentro.

Vodka Haku (Foto: divulgação)
Vodka Haku (Foto: divulgação)

A outra novidade da Beam Suntory para o trimestre é o lançamento de alguns de seus produtos japoneses, entre eles o retorno dos uísques da Suntory, e da vinda inédita do gim Roku e da vodca Haku. Mas, se até três anos atrás os uísques Ibiki e Yamazaki eram vendidos aqui, agora apenas o Chita, um single grain, terá comercialização no Brasil: “Quando o Ibiki e o Yamazaki foram eleitos os melhores do mundo, em 2007 e 2014, o consumo explodiu. As destilarias não estavam preparadas para isso, mesmo sendo o maior grupo privado do Japão. Houve um processo de adaptação, mas que começou apenas a partir dessa situação”, explica Celli.

De caráteres hiper premium, tanto a vodca Haku quanto o gim Roku são completamente diferentes daquilo que o consumidor brasileiro está acostumado. Haku é feita de arroz polido, como alguns dos saquês mais conceituados do Japão. A matéria-prima concede toques extremamente delicados ao destilado. Já Roku, que significa “seis”, é feito com seis botânicos que representam as quatro estações do ano: flor e folha de Sakura, senchá e chá gyokuro, pimenta sancho e cascas de yuzi – além, é claro, de botânicos tradicionais como o zimbro, cítricos, coentro e canela.

Sem dar muita certeza de quando os single malts Ibiki e Yamazaki voltam ao Brasil, Walter Celli aponta para o ano de 2022. Até lá, a empresa também estuda aumentar o portfólio de Jim Beam com a chegada de seu Rye Whisky e de seu bourbon single barrel, mas tudo, por enquanto, ainda não tem data para acontecer.


Artur Tavares

Com passagens pela Rolling Stone Brasil, MTV e o programa CQC, da TV Bandeirantes, Artur Tavares hoje é editor das revistas Carbono Uomo e Corriere Fasano. Não é bem um especialista em bebidas, mas é ótimo de copo.

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