Queijos brasileiros imperdíveis, por Daniela Filomeno

Adoro estar à mesa acompanhada de uma taça de vinho e bons queijos! Melhor ainda se eles vierem de um pequeno produtor artesanal brasileiro, não é? De qualidade ímpar, e deliciosos, compartilho alguns de meus produtos nacionais prediletos

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Daniela Filomeno compartilha seus queijos nacionais prediletos (Foto: acervo pessoal)

Se existe uma coisa que aprecio é sentar com a família no fim da tarde com uma bela tábua de queijos e um bom vinho e jogar conversa fora, sem hora para acabar. Durante o último ano, esse programa se tornou recorrente, o que despertou em mim vontade de pesquisar e conhecer pequenos produtores de queijos. Já apreciava a produção nacional, mas passei a admirar e consumir ainda mais. E convido você a fazer o mesmo: descubra os sabores nacionais!

De uns anos para cá, os brasileiros vêm angariando uma série de prêmios, principalmente no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, a “Copa do Mundo” do setor, maior competição do planeta de classificação de queijos, que acontece a cada dois anos na França.

A última edição aconteceu em junho de 2019, na cidade de Tours, e 137 queijos brasileiros foram inscritos na competição, concorrendo com países de fortíssima tradição na produção. É surpreendente ver que, dos nacionais, 56 levaram medalhas, sendo quatro na categoria superouro, o prêmio máximo, seis na categoria ouro, 23 na categoria prata e 23 na categoria bronze.

Do total, Minas Gerais angariou 50 medalhas, sendo 24 para queijeiros da Serra da Canastra, entre elas três superouro: Santuário do Mergulhão Curado, Vale da Gurita e Queijo do Ivair. A quarta superouro brasileira foi para o Cuesta, com oito meses de maturação em prateleiras de madeira, do Pardinho Artesanal, feito na Fazenda Sant’Anna, em Pardinho (SP). Veja a lista completa de ganhadores no fim deste texto. A próxima premiação, que será a quinta edição da competição, está programada para ocorrer entre 6 e 8 de junho deste ano. Vale ficar de olho!

Criei uma lista com meus queijos prediletos, que compartilho a seguir com vocês e reforço o convite: valorize nossos pequenos e incríveis produtores nacionais e surpreenda-se!

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Lua cheia e Gorgonzola de colher, Serra das Antas, Bueno Brandão (MG)

Coberto com uma fina camada de carvão vegetal comestível, quando sua tampa é tirada, o Lua Cheia enche os olhos com sua textura cremosa e aveludada. É quase para “comer de colher”! Maturado por três semanas, o queijo redondo possui gosto amanteigado e tem maior teor de gordura, sendo mais perecível por não ser curado.

Ainda na linha de “comer de colher”, também adoro o gorgonzola da Serra das Antas, que é ótimo para ser apreciado em generosas porções em um pão delicado. Incrivelmente saboroso, ele tem uma textura macia e original, mas ao mesmo tempo um pouco firme e quebradiça. Maturado por um mês, o queijo é feito a partir do leite de vaca e possui um aroma que chega a lembrar nozes.

Tulha, Fazenda Atalaia, Amparo (SP)

Queijo Tulha da Fazenda Atalaia, maturado por 12 meses e melhor consumido em lascas (Foto: divulgação/ comunicação Fazenda Atalaia)

Extracurado, o queijo Tulha da Fazenda Atalaia é maturado por 12 meses e possui massa quebradiça com cristais, que, para mim, lembra um parmigiano reggiano. Assim, ele é ótimo em lascas para acompanhar massas e também saladas. Adoro seu sabor delicado, salgado, com um toque adocicado no fim. O queijo já entrou para o rol dos campeões brasileiros ao ganhar vários prêmios, como a medalha de ouro por dois anos consecutivos no Prêmio Queijos Brasil (2016 e 2017) e também a primeira medalha de ouro internacional para um queijo artesanal brasileiro no World Cheese Awards em San Sebastian, na Espanha.

Pardinho Cuesta Azul e Mandala, Pardinho Artesanal, Pardinho (SP)

Cuesta Azul, queijo com sabor marcante dada a harmonia entre o mofo interno e externo (Foto: Sergio Coimbra Studio SC)

São dois queijos que amo da Pardinho, fabricados a partir do leite cru em sua forma mais pura. O Cuesta Azul busca equilíbrio entre seu mofo externo e interno, com um sabor único. Seu processo de maturação é feito em caves – em que umidade, luminosidade e temperatura são controladas – por quatro meses, tempo mais que o normal nessa categoria. Ele fica muito saboroso e diferente do que eu já tenha experimentado.

Já o Mandala, com buraquinhos, leva no mínimo 50% de leite de vacas da raça gir, rebanho criado no pasto na Fazenda Sant’Anna, garantindo textura e sabor deliciosos. Na fazenda, o queijo é afinado durante 18 meses também em caves e feito em peças de aproximadamente 10 quilos, que são lavadas semanalmente. Por conta do processo, dá para perceber que o queijo tem toques adocicados e bom derretimento!

Duzu da Queijaria Belafazenda (Foto: reprodução site/belafazenda.com)

Duzu, Queijaria Belafazenda, Bofete (SP)
A textura macia deste queijo com mofo azul produzido com leite cru de vaca chama atenção desde a primeira olhada. Esse mofo, que fica dentro e fora do queijo, é obtido durante o processo de maturação, feito durante 30 dias. Inspirado nos queijos azuis italianos, este é certamente marcante e saboroso, com notas bem sutis de amargor!

Queijo cremoso de Cássia, Terra Límpida, Cássia dos Coqueiros (SP)

Sim, também amo um bom queijo cremoso, e este é um dos melhores! Ele tem uma casca firme que esconde seu interior macio, de sabor leve mas marcante e amanteigado. Produzido com leite de vaca pasteurizado, possui textura lisa e cremosa. Ele é feito em Cássia dos Coqueiros, pequena cidade com cerca de 2.500 habitantes, pela fazenda Terra Límpida, propriedade que produz sem agrotóxico e que respeita a conservação dos recursos naturais e da paisagem local.

Minas artesanal Canastra da Vale da Gurita (Foto: reprodução Instagram)

Queijo da Canastra, Vale da Gurita, Delfinópolis – Serra da Canastra (MG)
Premiado com a medalha superouro no Mondial du Fromage de 2019, este queijo de minas artesanal é produzido na Serra da Canastra, região que protege seus queijos com tradição e métodos desenvolvidos há mais de 200 anos por seus ancestrais. Feito de leite cru e maturado em prateleiras de madeira, o queijo é especial por sua tradição e pelo sabor marcante – uma delícia!

Vale ressaltar que o modo de produção do queijo da Canastra é reconhecido desde 2008 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial brasileiro. Além disso, apenas sete municípios da região mineira levam o selo de queijo da Canastra: Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Vargem Bonita e Tapiraí.

A lenda, Queijos Cruzília, Cruzília (MG)
Além de sua casca firme e seu interior macio, a história por trás do produto é igualmente instigante. Reza a lenda que o queijo é feito a quatro mãos, com a dos funcionários atuais da fábrica e também daqueles que já se foram. A receita do queijo danbo, semi macio e feito de leite de vaca, foi descoberta em 2009 por funcionários do laticínio em Cruzília (MG) dentro de um cofre, que continha documentos antigos, uma receita e uma lata com fermento.

A experiência quase misteriosa é aguçada pelo sabor marcante, levemente adocicado, e pela casca firme negra em cima, feita a partir de um corante comestível. Um queijo amarelado e macio, intrigante e muito bom.

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Confira todos os vencedores brasileiros do Mondial du Fromage 2019:

Queijos brasileiros entre os melhores do mundo (Foto: Daniela Filomeno)

SuperOuro
Santuário do Mergulhão – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra (curado)
Queijo do Ivair – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Pardinho – Cuesta (oito meses)
Vale da Gurita – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra

Ouro
Mineirinho – Queijo Minas Artesanal de Araxá
Rancho 4R – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra (180 dias)
Fazenda Bela Vista – Queijo Artesanal de Alagoa (60 dias)
Queijos Cruzília – Cruzília 300
Rancho das Vertentes – Névoa Tronco de Pirâmide
Queijo Canaã – Queijo Minas Artesanal do Serro

Prata
Sertanejo – Queijo Minas Artesanal do Serro
Maria Nunes – Queijo Minas Artesanal do Serro
Turvo Grande – Queijo Minas Artesanal do Serro
Santana – Queijo Minas Artesanal do Serro
Dona Iaiá – Queijo Minas Artesanal do Serro
Zé Mário – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Santuário do Mergulhão (extra curado) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Roça da Cidade (canastra real) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Vale Encantado – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Capão Grande – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Pingo de Amor (meia cura) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Pingo de Amor (curado) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Pingo de Amor (22 dias) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo Craveiro
Rudá – Débora Pereira
Fazenda Bela Vista (45 dias) – Queijo Artesanal de Alagoa
Fazenda Bela Vista – Queijo Artesanal de Alagoa (120 dias)
Queijos Cruzília – Requeijão
Queijo d’Alagoa – Queijo Artesanal de Alagoa (pequeno)
Serra dos Arachás – Queijo Minas Artesanal de Araxá
Pardinho – Mandala (12 meses) – SP
Fazenda São Victor – Queijo do Marajó tipo creme – Pará
Bela Fazenda – Sinueiro – SP

Bronze
Curupira – Queijo Minas Artesanal do Serro
Paixão – Queijo Minas Artesanal do Serro
Rio das Pedras – Queijo Minas Artesanal do Serro
Quilombo – Queijo Minas Artesanal do Serro
Queijo do Serjão – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Valtinho – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Tradição da Canastra – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Rancho 4R (60 dias) – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo do Ivair – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo do Dinho – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo do Miguel – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Porto Canastra – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo do Cláudio – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Beira da Serra – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Queijo da Santa – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Capela Velha – Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra
Cooperativa do Serro – Queijo Minas Artesanal do Serro
Hélder Falcão Aragão – Queijo Falcão (massa crua)
Queijos Cruzília – Dagano
Queijaria Datas – Fazenda Vitória (Serro)
Queijaria Datas – Queijo Datas Guzerá
Bicas da Serra – Queijo Minas Artesanal do Campo das Vertentes (Império)
Laticínio Grupiara – Serra do Pico – (PB)

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