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Festival Fartura estuda edições em Brasília e Portugal, em 2018

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Canjiquinha à oriental, do chef Pablo Oazen (Foto: André Aloi)

Aconteceu neste fim de semana, em Belo Horizonte, a quarta edição do Festival Fatura. A plataforma que redescobre o Brasil por meio de suas expedições (a fim de documentar e resgatar a cultura gastronômica do País) levou para a capital mineira mais de 70 atrações, entre o comércio de famosas receitas de bares e restaurantes, além de renomados chefs com pratos-assinatura, além de apresentações musicais, infantis e aulas gastronômicas.

Belo Horizonte, MG – Ainda falta uma edição para o festival Fartura encerrar 2017, em Fortaleza (em novembro), mas o grupo mineiro que organiza o evento pensa em duas novidades para o ano que vem, segundo V&G apurou. A primeira seria uma edição em Brasília (DF) e outra em Portugal, ainda com datas a definir – além da já programada em Belém, no Pará. O diretor do evento, Rodrigo Ferraz, explica que o festival “tipo exportação” ainda está em fase de planejamento. “Nossa ideia é fazer um intercâmbio de sabores, mostrando as heranças que os portugueses deixaram no Brasil e como elas se transformaram ao longo do tempo. Queremos também planejar uma expedição por aquele país”, resume, reforçando que o projeto ainda está sendo estudado.

Durante os dois dias do último fim de semana, o Fartura recebeu mais de oito mil pessoas em novo endereço, em Belo Horizonte: a rua em frente à Sala Minas (complexo que engloba a Filarmônica de Minas). “Nosso maior desafio é sempre escolher o que de melhor vamos apresentar ao público porque o Brasil tem muita coisa boa. Já mostramos muito, mas ainda há muito a ser mostrado”, explica. Como a novidade deste ano é o evento voltado para as crianças, que acontece no próximo fim de semana, ele espera entregar essa plataforma de uma maneira atraente e apropriada para cada faixa etária. “Há vontade, sim, de expandir esse projeto para outras edições do Fartura pelo Brasil”.

Diretora de conteúdo e curadora gastronômica do festival, a jornalista Luiza Fecarotta explica que os festivais são a grande comunhão das expedições, que eles vem desbravando a diversidade do Brasil à mesa. “A gente tenta trazer representantes dos estados ao pensar nessa variedade, tipos de pratos, e que eles explorem nossos ingredientes”, resume. “Que não fiquem presos ao Brasil de forma compulsiva, mas trazem o País à tona naturalmente. Os eventos acabam promovendo troca muito rica, não só com os consumidores, mas com os próprios chefs e produtores”.

Apresentações culturais e musicais fizeram parte da programação do fim de semana / Foto: Nereu Jr/Divulgação

Chefs renomados ou já conhecidos do público são as figuras mais tietadas do festival. Mas não de um jeito como fã, para pose ou selfie, por exemplo. Ali, era possível ver esses caras em ação, no seu lugar de atuação. Encontramos a chef Tássia Magalhães, do Pomodori (SP), com a colher de pau em riste e sua dolma, servindo ao público – quase sem tempo para pausas. Na cumbuca (R$ 25), era servido seu fusilli com polvo e pancetta, dos mais saídos na cozinha paulista. A ideia é dar acesso ao público desses nomes mais conhecidos na gastronomia, dando oportunidade de as pessoas conhecerem seus pratos famosos, de assinatura, por um preço acessível.

Chef Pablo Oazen | Foto: Nereu Jr/Divulgação

Participante do Masterchef Profissionais, Pablo Oazen montou sua cozinha no espaço dos chefs, no fim de semana. “A estrutura do Fartura é sempre muito boa. A galera que vem convidada já tira isso de letra. Não tem dificuldade de soltar os pratos”, explica ele, que levou sua interpretação de canjiquinha à moda oriental (do Garagem GastroBar, de Juiz de Fora). Participar do reality televisivo, para ele, é maravilhoso, assim como participar de feiras como esta, que geram grande encontro com pessoas que estão em busca de boa gastronomia. “São pressões diferentes. Aqui, a gente tem essa responsabilidade com nosso cliente, de entregar uma comida boa. A cozinha é um pouco mais leve. Lá, olhar para o (Erick) Jacquin, Paola (Carosella) e (Henrique) Fogaça é puxado”, ri.

Uma das primeiras a entrar no evento, ao meio-dia de sábado (21.10), a médica Jaqueline Castro estava acompanhada do marido e disse que não perde nenhuma edição desde que conheceu o evento pelo Facebook. “Gente bonita, comida diferente, música… Tudo!”, resume o que mais gosta. “O astral é sensacional”, segundo ela, que lembra de uma receita feita com bacalhau que faz voltar sempre. O público era formado por famílias em grande número, grupos de amigos e casais com mais idade, pela casa dos 40/50, com os filhos já crescidos, e mais jovens, em muitos casos com pequenos no colo ou no carrinho.

Médica Jaqueline Castro, uma das primeiras a entrar (Foto: André Aloi)

Para esse público, vale lembrar, no próximo fim de semana, o Fartura estreia uma versão reduzida, com foco nos pequenos. Serão mais de 60 atrações, incluindo aulas em que eles vão colocar a mão na massa. Acontecerá no sábado e domingo (dias 29 e 30 de outubro), do meio-dia às 20h, em frente à Sala Minas Gerais (Complexo de Cultura da Filarmônica). Depois, o Fartura desembarca em Fortaleza, nos dias 25 e 26 de novembro.

Estrutura
O Fartura operou como uma espécie de minicidade: os renomados chefs se instalaram de um lado da avenida principal, que desembocava em um palco de atrações maiores. Ali atrás, os banheiros. Completavam a alameda as ativações de marcas patrocinadoras, bares e caixas (além dos ambulantes) e um mercado de bebidas alcoolicas. Em uma segunda alameda, os botecos, restaurantes e docerias. Do lado do segundo palco, duas salas de cozinha show e um estande que os chefs apresentavam receitas e contavam a história de determinado prato. Circulando de volta à alameda dos bares, a parte dos produtores (uma espécie de empório e mercadinho). De volta à entrada, funcionavam foodtrucks e bike foods. No meio disso tudo, foram instaladas mesas e cadeiras com guardas-sóis para enfrentar o fim de semana bem quente da capital mineira.

Foto: Nereu Jr/Divulgação

Expedições
O Fartura começou no festival de Gastronomia de Tiradentes, há 20 anos. Ao longo desse tempo, virou uma plataforma de cozinha brasileira. Eles pesquisam e registram o que encontram e, nessas expedições, catalogam produtores e personagens que fazem parte da nova cozinha brasileira, como mercados e feiras, além dos chefs de fazendas aos de restaurantes. Já percorreram o Brasil inteiro (26 estados + Distrito Federal), e este ano fizeram um aprofundamento das regiões, como em Minas, que possibilitou conhecer novos produtores, restaurantes e cozinheiros. No próximo ano, a ideia é resgatar os laços com Portugal a fim de entender a origem da cozinha brasileira por meio do olhar lusitano.


O repórter viajou a Belo Horizonte, no fim de semana, a convite do evento.

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