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Cansado de hambúrguer? Cinco indicações de sanduíches diferentes em São Paulo

Além de burgers deliciosos, a cidade é recheada de casas que servem sanduíches igualmente incríveis e com ingredientes frescos. Veja os prediletos do apaixonado por gastronomia Fred Sabbag

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(Foto: Getty Images)

Para uns, apenas fatias de pão com algum recheio. Para outros, uma refeição tão importante quanto qualquer prato bem elaborado – e, na verdade, é assim que o sanduíche deve ser tratado.

Tem-se notícia de que, desde antes de Cristo, entre os judeus e na pré-história chinesa, já existia o hábito de comer espécies de sanduíches compostos por massa (os judeus, por exemplo, usavam o pão ázimo de que falei aqui) e proteína ou vegetais.

Apesar disso, a origem do sanduíche (com esse nome) é atribuída ao lorde inglês John Montague, 4º conde de Sandwich. Dizem ter sido ele o primeiro a, após sentir fome em uma longa partida de jogo de cartas em 1762 – que não pretendia interromper -, solicitou a um funcionário a preparação de duas fatias de pão com uma fina fatia de carne no meio. Assim o fez também para evitar que sua mão, suja pela carne, sujasse as cartas.

Feitas essas ressalvas de cunho histórico, fato é que nos tempos corridos em que vivemos o sanduíche é e continuará sendo uma excelente refeição. Quando não golpeado por excessos decorrentes de uma desnecessária “gourmetização” e executado corretamente, o sanduíche pode ser um dos alimentos mais reconfortantes que existem – além de lindo, como os que o americano Jon Chonko publicou em seu livro Scanwiches e que estão disponíveis na conta do Instagram que leva o mesmo nome.

Por mais simples que pareçam ser, sanduíches podem (devem!) ser tratados com primor e com o mesmo cuidado do que qualquer outra comida. Por isso, no texto de hoje, trago alguns bons exemplos de quem leva o assunto a sério e serve alguns dos sanduíches mais gostosos de São Paulo. Confira:

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Nosh

Sanduíche Nosh
Sanduíche com peixe branco empanado, repolho roxo, vinagrete de tomate, chips de couve e maionese mostarda & mel (Foto: Rubens Kato)

Fundado em fevereiro de 2020 por Julia Friedman e Alon Berlovich (que também comanda a festejada Pinati, em Santa Cecília), o Nosh tem como premissa apresentar um conceito diferente e informal de sanduíches, todos feitos no pão pita. Segundo ambos, o objetivo do Nosh “é mostrar que a pita é um pão perfeito para as mais variadas combinações e que é possível unir diferentes culturas e sabores nesse pão único e especial”.

Ambos os sócios possuem origem judaicas, de onde também vem muitas das referências do Nosh que, no iídiche, significa comida, rango ou lanche. Tais referências aparecem desde o cardápio, com pastrami, falafel, schnitzel etc,  até a personagem principal denominada Dona Blima, que ilustra uma mãe judia descolada e divertida.

Dentre os destaques, schnitzel de frango + pastrami, schnitzel de peixe, arais e, acreditem, o sanduíche de couve-flor.
Nosh (@nosh_sp): Rua Baronesa de Itu, 126, Santa Cecília, São Paulo-SP. Pedidos via iFood, Rappi e Goomer.

Amo-te sando

Chef Toshi Akuta, à frente do Amo-te-sando
Chef Toshi Akuta, que está à frente do Amo-te sando (Foto: divulgação)

O Amo-te sando nasceu na cozinha de casa de Toshi Akuta, que brilhou por aproximadamente cinco anos no Izakaya Matsu. É inspirada nos sandos japoneses, que no Japão são vendidos em estações de trem, lojas de conveniência e máquinas de rua.

Toshi Akuta teve como ideia divulgar a culinária japonesa sob outro ângulo, de forma simples, acessível e bastante saborosa. O projeto, que antes era incerto, é um verdadeiro sucesso e isso levou Toshi a abandonar a cozinha de sua casa e mudar sua operação para dentro da cozinha do restaurante Panda Ya, de Victor Wong, em Pinheiros.

E como são os sandos? Ótimos recheios dentro do delicioso pão de leite hokkaido. Atualmente, o cardápio possui opões de sandos como o katsu sando (milanesa suína com molho tonkatsu e salada de repolho), kare (carne bovina com curry japonês), nasuden (berinjela no miso com amendoim crocante), kimchicken (frango com kimchi), tamago (ovo com harashi, a mostarda japonesa).
Amo-te Sando (@amo_te_sando): Pedidos somente por WhatsApp: (11) 98996-3132. 

Barú Sandú

Sanduíche do Barú Sandú
La Milanga do Barú Sandú, que vem com milanesa de peixe e coleslaw de kimchi (Foto: Rogério Voltan)

Barú Sandú é o irmão mais novo do Barú Marisquería, comandado por Dagoberto Torres, que desde 2018 serve peixes e frutos do mar e é um dos meus restaurantes do coração.

Fundado em outubro de 2020, o Barú Sandú seguiu a linha de seu irmão mais velho e, embora focado em sanduíches, manteve pescados e frutos do mar como ingredientes principais do cardápio. Funciona apenas no delivery e é a junção perfeita de ingredientes fresquíssimos com bons pães.

No cardápio, o maior destaque é o excelente La Milanga (com milanesa de peixe e coleslaw de kimchi), que nasceu como “especial do dia” do Barú Marisqueria mas permaneceu fixo no cardápio em razão do sucesso. Além dele e dentre outros, também brilham o Bombom! (ostra, creme azedo de raiz forte, rúcula e ovas de arenque), o El Pancho (tempurá de camarão, mayocreme de chipotle, nirá e sweet chili).
Barú Sandú (@barusandu): Pedidos por WhatsApp (11) 96739-3073.

Matilda Lanches

Sanduíche do Matilda
Matilda Vietnamita, com frango desfiado no molho oriental, cenoura, maionese de shoyo, coentro, jalapeno em conserva e pink picles (Foto: Wellington Nemeth/divulgação)

Da incansável Renata Vanzetto, o Matilda Lanches foi fundado em 2018 com a proposta de ser informal, acessível, criativo e divertido. Embora seja focado em serviços simples, há diversos sanduíches muito bem elaborados.

Conceituado como “uma lanchonete para todos; vegetarianos, veganos, lights e quem gosta de enfiar o pé na jaca!”, o Matilda Lanches conta com duas casas – uma nos Jardins e outra em Pinheiros – e um amplo cardápio com destaques para as entradas (possui um quiabo com missô de lamber os dedos) e sanduíches.

Sobre esses últimos e que são tema deste texto, destaques para meu preferido Bunbah (com frango crocante, guacamole, maionese spicy, picles de cebola roxa, coentro e tomate) e Matilda Vietnamita (frango desfiado no molho oriental, cenoura, maionese de shoyu, coentro, pimenta jalapeño e pink picles).
Matilda Lanches (@matildalanches): Rua Bela Cintra, 1.541, Cerqueira César, São Paulo-SP. Rua Mateus Grou, 31, Pinheiros, São Paulo-SP. Pedidos por delivery próprio, WhatsApp: (11) 98232-7677 e iFood.

Arais Shmulik

Sanduíche à moda israelense do Arais
Sanduíche à moda israelense do Arais Shmulik(Foto: Fred Sabbag)

Focada no famoso sanduíche de origem armênia que se adaptou muito bem em Israel, o Arais Shmulik é comandado pelos irmãos Marcelo Shoel e Shemuel Shoel. Os irmãos tiveram a ideia de abrir uma casa focada nesse delicioso sanduíche porque, há alguns anos, moravam em Tel Aviv e costumavam intercalar o arais com falafels e shawarmas.

Embora muitos em São Paulo conheçam o Arais pelo querido Carlinhos Restaurante, há diferenças entre as variações armênia e israelense. A maior delas, além do tempero, é a espessura do pão e da carne e esse ótimo sanduíche pode ser comido com molho tahine e acompanhado por batatas fritas.

Além do Arais, às vezes o Arais Shmulik disponibiliza para pedidos o famoso sanduiche Sabich, que leva berinjela frita, ovo cozido, cebola, cebolinha, pepino, tomate, pepino em conserva, homus, molho de manga, molho de pimenta e tahine. Também são destaques o homus, o babaganoush, o tzatzik e o matbukaha, que vêm com torradinhas de pão pita para acompanhar.
Arais Shmulik (@arais_shmulik): Pedidos por WhatsApp: (11) 97632-7646.

O advogado e entusiasta gastronômico Fred Sabbag

Sobre Fred
Fred Sabbag é advogado por profissão, mas, no tempo livre, nada de processos ou trâmites judiciais: uma de suas maiores paixões é frequentar bares e restaurantes. O hábito rendeu-lhe inúmeros seguidores no Instagram (@fredsabbag) e o tornou numa celebridade da gastronomia em São Paulo.

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