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Os melhores castelos do Japão para visitar pelo menos uma vez na vida

Algumas construções existem desde o século 13 e passaram por diversos reinados e governos, outros são consideradas patrimônios da UNESCO. Aqui, uma seleção dos mais belos castelos japoneses

São mais de 100 castelos disponíveis para visitação no Japão
São mais de 100 castelos disponíveis para visitação no Japão Shutterstock

David McElhenneyda CNN

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Durante a Era Sengoku dos “Estados Combatentes” do Japão (1467-1615), castelos foram construídos e fortificados em todo o arquipélago japonês, resultando em aproximadamente 5 mil fortalezas individuais.

Embora muitos tenham sido arrasados a mando do regime Xogunato Tokugawa, durante o período Edo (1603-1868) e, posteriormente após a Restauração Meiji, de 1868, quando o poder foi restaurado ao imperador, mais de 100 deles permanecem em todo o país atualmente.

Aqui estão alguns dos melhores castelos do Japão que você ainda pode visitar.

Castelo de Hirosaki

No alto de uma colina na província de Aomori, no coração da região norte do Japão, fica o Castelo de Hirosaki; a estrutura principal é construída em camadas e cercada por yaruga (torres menores) e fossos fortificados.

Com a construção finalizada em 1611, o castelo foi construído quando o Japão estava entrando em um período prolongado de paz sob o comando Xogunato Tokugawa e, como tal, nunca suportou os cercos ou invasão.

O tenshu (torre fortificada) original de cinco andares foi destruído depois de ter sido atingido por um raio em 1627, sendo substituído no início do século 19 pela estrutura de três andares visível atualmente.

Juntamente com a impressionante arquitetura feudal, a temporada de primavera da sakura (flor de cerejeira) é um grande atrativo para os viajantes no Castelo de Hirosaki. Mais de 2.600 árvores de sakura rodeiam os jardins do castelo, espalhando suas pétalas nos gramados e fossos adjacentes a cada primavera.

Castelo de Shuri

Listado pela UNESCO, Shuri foi destruído em um incêndio em 2019, e está sendo restaurado/ Alamy

Elevado acima da cidade de Naha e cercado por muros fortificados, o Castelo de Shuri, na ilha de Okinawa, é emblemático do estilo de castelo gusuku do antigo Reino Ryukyu (antigo nome de Okinawa).

A construção desafia o projeto arquitetônico de castelos vistos em outros lugares do Japão, com uma cidadela real de madeira em vermelho intenso, adornada com dragões e iconografia chinesa – que sugerem influências pré-estado de Okinawa.

Quando Shuri foi construído pela primeira vez no século 14, era a sede do poder no Reino Ryukyu até o Japão anexar as ilhas de Okinawa, em 1879. Antes de ser negligenciado sob o domínio imperial, serviu como centro de diplomacia, governança e espiritualidade do reino durante séculos.

Embora tenha sido restaurado e finalmente designado Patrimônio Mundial da Unesco, o Castelo de Shuri foi tragicamente destruído em um grande incêndio em 2019. A reconstrução está em andamento com o objetivo de restaurar fielmente os principais edifícios até 2026.

Castelo de Edo

O Castelo de Edo, chamado pelo antigo nome de Tóquio, tem uma das linhagens mais longas de todos os castelos do Japão. Um palácio fortificado foi erguido pela primeira vez no local durante o período Heian (794-1185). O samurai Ota Dokan então projetou uma fortaleza para substituir o palácio em 1457, antes que o influente daimiô (senhor feudal) Tokugawa Ieyasu assumisse o controle no final do século 16.

Isso se tornou o catalisador para amplas reformas arquitetônicas e expansão urbana maciça, transformando Edo de uma pequena vila fortificada na capital da nação, incorporada pelo grande castelo em seu ponto central.

O Castelo de Edo era enorme em seu auge, cercado por um fosso externo de 15 quilômetros atravessado por mais de 30 portões e pontes.

Remanescentes das estruturas originais podem ser encontrados em Tóquio, embora o Palácio Imperial, lar do atual imperador, seja o melhor lugar para ter uma noção de sua antiga glória. Partes do terreno não podem ser acessadas, mas os intocados Jardins do Leste do Palácio Imperial são abertos ao público.

Castelo de Matsumoto

Construído no século 16 a mando do “Grande Unificador” do Japão, Toyotomi Hideyoshi, o Castelo de Matusmoto de paredes pretas se justapõe aos Alpes do Norte coroados de neve que cercam a cidade de Matsumoto.

Também conhecido como Karasu-jo (o Castelo do Corvo), foi amplamente poupado da destruição e mantém uma das mais antigas fortalezas do país.

O Castelo de Matsumoto exibe a arquitetura da guerra e da paz, desde suas íngremes escadas de madeira, níveis internos ocultos e locais de arqueiros até a sala de observação da lua, adicionada em 1630, que também oferece a vista para ver as carpas e patos que residem no fosso do castelo.

Nas noites de inverno, o castelo recebe uma iluminação especial, lançando seu reflexo brilhante sobre a superfície do fosso.

Castelo de Nagoya

Na próspera capital de Aichi, Nagoya, você encontrará o homônimo Castelo de Nagoya, cujas torres majestosas têm vista para os jardins e fossos abaixo.

Sob instruções do Xogun, o Castelo de Nagoya foi construído como um centro administrativo durante o início do período Edo, após uma era de quase 150 anos de guerra interestadual. O conflito chegaria no castelo muito mais tarde, quando foi destruído em bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial. Mas os esforços de restauração capturaram a essência de seu apogeu medieval.

O Castelo de Nagoya é conhecido pelo magnífico shachihoko dourado (peixe parecido com um tigre) que se projeta de seu zênite – uma vez ganhando o epíteto Kin-jo (Castelo Dourado) – e seus telhados verdes inclinados.

Atualmente, não é possível entrar na fortaleza principal, pois não atende aos padrões modernos de resistência a terremotos, embora as renovações contínuas nos próximos anos tenham como objetivo torná-la adequada até 2028.

Castelo de Osaka

O Castelo de Osaka é um dos marcos mais famosos do Japão, desempenhando um papel fundamental no auge da era Sengoku. Ao unificar o Japão em 1590, o samurai Toyotomi Hideyoshi procurou expandir sua fortaleza-base em Osaka impulsionado pelo desejo de superar seu antigo senhor, Oda Nobunaga.

No entanto, os esforços dele para criar uma defesa inatacável foram frustrados postumamente, quando o castelo caiu para o Clã Tokugawa, em 1615.

O Castelo de Osaka de cinco andares, uma recriação da torre de menagem original (que foi destruída em várias ocasiões), é construído sobre sólidas fundações de concreto ciclópico, com telhas verdes menta e acessórios dourados que guardam semelhanças impressionantes com o Castelo de Nagoya.

Dentro, você encontrará um museu que detalha a história política da região e os vários samurais que a reivindicaram como sua casa. A exposição culmina em um mirante de 360 graus no último andar.

Castelo de Nijo

O Castelo Nijo é um dos 17 Patrimônios Mundiais da UNESCO, em Kyoto / Alamy

O Castelo de Nijo foi a residência oficial do Xogun durante o período Edo – embora a sucessão de governantes militares passasse a maior parte do tempo governando da sede do poder em Edo (agora Tóquio).

Após a Restauração Meiji, o castelo tornou-se um palácio imperial antes de ser aberto ao público como um local histórico.

O atarracado castelo hirajiro (planície) tem muitas das armadilhas da arquitetura feudal japonesa: um fosso de perímetro amplo, um imponente karamon (portão de entrada), seções concêntricas separadas por paredes de pedra reforçadas e tábuas de piso que rangem para detectar intrusos.

Atualmente, você pode passear pela maioria dos terrenos do castelo, enquanto guias de áudio em vários idiomas estão disponíveis na entrada.

Castelo de Inuyama

O Castelo de Inuyama é significativo por ter a mais antiga tenshu (torre fortificada) original do Japão, que remonta a 1580, e é um dos únicos cinco castelos a ter o status de Tesouro Nacional.

Foi também a primeira fortaleza de propriedade do tirano sanguinário que primeiro tentou unificar o Japão, Oda Nobunaga.

A localização estratégica do Castelo de Inuyama, no topo da colina, forneceu aos samurais residentes vistas amplas das planícies circundantes e do turbulento rio Kiso em sua base. Hoje, os visitantes do local se beneficiam desse mirante de cair o queixo, que possibilita ver sobre as cidades e florestas vizinhas.

Castelo de Hikone

Embora o Castelo de Hikone, na província de Shiga, seja uma estrutura comparativamente despretensiosa, é significativo por que sua principal fortaleza (que foi designada como Tesouro Nacional) e muitas das estruturas circundantes permanecem intactas.

Isso se deve em parte à sua conclusão em 1622, depois que o Xogunato Tokugawa estabeleceu a paz em todo o país e sua localização em um trecho relativamente obscuro do oeste do Japão.

Os mirantes do castelo no topo da colina estão virados para o Lago Biwa, o maior corpo de água do interior do Japão, no centro da província. Há também um Museu do Castelo de Hikone aos pés da colina, apresentando artefatos e documentação histórica do Clã Ii, que estabeleceu a fortaleza há cerca de 400 anos.

Castelo Bicchu Matsuyama

O Castelo Bicchu Matsuyama, datado século 13, fica situado acima da tranquila cidade de Takahashi, na província de Okayama, e acredita-se que seja o yamajiro (castelo de montanha) original do Japão. A 430 metros acima do nível do mar – a maior elevação para qualquer castelo no Japão – os pretensos invasores foram obrigados a subir a colina através de arbustos densos e rajada de projéteis apenas para alcançar os portões do castelo.

A caminhada hoje, mais usada do que na era medieval e livre de flechas, é viável para qualquer pessoa com um nível moderado de condicionamento físico. Certamente vale a pena suar para ver a paisagem ondulante de Okayama das muralhas do castelo ou o unkai (mar de nuvens) flutuando acima do vale nas manhãs de primavera e outono.

Castelo de Himeji

O Castelo de Himeji inspirou um dos filmes de terror mais notórios do Japão / Alamy

O apelido do Castelo de Himeji, “Castelo da Garça Branca”, sugere a magnificência poética de sua histórica torre de menagem: o edifício branco perolado de várias camadas se eleva acima da baixa cidade de Himeji.

Suas origens remontam ao início de 1300, após o qual passou por várias aquisições e esforços de remodelação nas mãos de Toyotomi Hideyoshi, Tokugawa Ieyasu e vários outros daimiô, respectivamente. Ele também permaneceu praticamente intacto ao longo de sua história de 700 anos, sobrevivendo a várias atrocidades recentes, desde bombas aéreas na década de 1940 até o Grande Terremoto de Hanshin, em 1995.

Esses fatores ajudaram o Castelo de Himeji a se tornar o primeiro Patrimônio Mundial da Unesco do Japão.

Além disso, é no castelo onde fica o Poço de Okiku, onde se diz que o fantasma do servo de mesmo nome reside. O poço deve sua infâmia ao conto popular Bancho Sarayashiki, que posteriormente inspirou o filme de terror “Ringu” (1998) e sua adaptação de Hollywood, “O Chamado” (2002).

Castelo de Matsue

Construído no início de 1600 perto das margens do Lago Shinji, o Castelo de Matsue é uma das únicas fortalezas remanescentes na costa centro-oeste do Japão.

Seu propósito original era ajudar o novo xogun, Tokugawa Ieyasu, a consolidar seu poder na região predominantemente provincial. Atualmente, suas imponentes paredes pretas e telhados cinzas em camadas são sentinela sobre um fosso de perímetro verde escuro no coração do bairro antigo de Matsue.

Do outro lado da rua do castelo, você encontrará o patrimônio cultural mais valioso de Matsue: o Museu Lafacadio Hearn e sua antiga residência. Um autor do século 19 de herança greco-irlandesa, Hearn ascendeu ao panteão da herança literária japonesa como um ensaísta cultural e um mestre contador de contos folclóricos locais.

Castelo de Kumamoto

Construído pelo daimiô local Kato Kiyomasa no início dos anos 1600, o Castelo de Kumamoto continua sendo um dos feitos mais impressionantes da arquitetura pré-moderna na ilha de Kyushu (embora a maioria de suas estruturas sejam agora reconstruções de concreto armado).

Incomum para os castelos japoneses, sua história de guerra se estendeu além do período Edo e na era da Restauração Meiji, quando samurais locais se rebelaram contra o novo governo, levando a um cerco de dois meses em 1877.

Após um grande terremoto, em 2016, e um período subsequente de renovação de cinco anos, a principal fortaleza do Castelo de Kumamoto foi reaberta ao público em 2021, com 800 cerejeiras pintando seus jardins de rosa a cada primavera.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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