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5 programas em Estocolmo, capital da Suécia que equilibra modernidade e história

Com uma vida cultural vibrante, a maior área urbana da Escandinávia nos contempla também na boa gastronomia e nas descobertas por suas ilhas, nos palácios do século 17, e pelas galerias de arte e parques

Daniela Filomeno às margens da baía de Riddarfjärden, com o Conselho Municipal de Estocolmo ao fundo
Daniela Filomeno às margens da baía de Riddarfjärden, com o Conselho Municipal de Estocolmo ao fundo Acervo pessoal

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

Estocolmo, Suécia

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Capital e maior cidade da Suécia, Estocolmo sempre mexeu com meu imaginário. Fundada no século 13 e lar de quase 1 milhão de pessoas, a cidade estava há bastante tempo na minha lista de lugares dos sonhos para visitar e, agora, posso dizer com propriedade: me surpreendi com sua beleza e suas misturas espetaculares.

Estocolmo é assim: andar por suas ruas é presenciar as bem-vindas combinações entre o moderno e o tradicional, o contemporâneo e o histórico.

Maior área urbana de toda a Escandinávia – região geográfica e de importância histórica que abrange alguns países do norte da Europa -, a cidade também agrada os sentidos ao dispor de uma gastronomia sem igual, com vários restaurantes estrelados pelo Guia Michelin, e ao oferecer uma gama de programas que contemplam uma vida artística, histórica e social pujante.

Um gostinho da cidade

Visitei Estocolmo no final de abril deste ano, ainda na primavera, quando as temperaturas geladas pedem jaquetas e casacos, mas nos dão tardes lindas, com um pôr do sol deslumbrante e parques com vegetação aprazível. Primavera, verão, outono e inverno, cada estação tem suas próprias personalidades únicas por aqui.

Interessante é que a cidade se estende por 14 ilhas sobre o Lago Mälaren, terceiro maior de todo o país, que deságua no Mar Báltico, e cada área nos dá uma sensação diferente.

Há desde os edifícios históricos e coloridos dos séculos 16 e 17 de Gamla Stan, a “cidade velha” de Estocolmo, até a natureza e a multiculturalidade da ilha de Djurgården, onde fica um dos principais museus da cidade, o Vasa, que abriga um navio de guerra sueco de 1628.

Vale ressaltar que Estocolmo está a cinco horas à frente do horário de Brasília; a língua falada é o sueco, mas o inglês também é praticado; e a cidade conta com bom sistema de metrô – que vende tíquetes únicos ou para serem usados durante um período de tempo – assim como uma rede de ônibus, bondes e balsas -, além dos típicos táxis e carros de aplicativos.

Assim, vários são os pontos da cidade que merecem ser visitados, seja num roteiro curto ou numa viagem com bastante tempo. A seguir, indico cinco tipos de programas para aproveitar em Estocolmo – desde museus, restaurantes, parques até endereços mais frequentados por locais.

E uma dica: entre descobertas num centro urbano moderno com remanescentes dos tempos medievais ou visitas a um museu e outro, não se esqueça de arrumar um tempinho para a fika, pausa para o café e bolo bem tradicional entre os locais. O termo vai além e resume-se a um hábito importante da cultura sueca que compreende também o ato de desacelerar e de socializar.

Programas em Estocolmo

Descobrir a região de Gamla Stan, a “cidade velha”

Um dos primeiros passeios a se fazer na cidade – e daqueles obrigatórios! – é “perder-se” pela região de Gamla Stan, “a cidade velha” de Estocolmo, ou seja, o núcleo original da cidade. Ela é formada pelas ilhas de Stadsholmen, Helgeandsholmen e Riddarholmen, onde edifícios coloridos e dos séculos 16 e 17 saltam aos nossos olhos.

De cara dá para notar que é um núcleo bem preservado que conta com várias atrações, cafés, restaurantes e lojinhas, o que forma um ponto de parada ideal para absorver a atmosfera de Estocolmo.

Por aqui, não deixe de conferir o Palácio Real, conhecido como Kungliga slotten, residência oficial da família real da Suécia construída a partir do século 17 e inaugurada no século 18 no estilo barroco. Mistura de residência, local de trabalho e espaço histórico-cultural, o palácio possui mais de 600 cômodos em onze andares e um pátio interno, onde recebe visitantes o ano todo.

Inaugurada em 1306, vale também a passadinha na Catedral de Estocolmo, ou Storkyrkan, que desde 1527 é uma igreja luterana e que nos dá um gostinho dos tempos medievais.

Por aqui também fica o Museu Nobel, ou Nobelmuseet, localizado na antiga bolsa de valores e que é lar de exposições, palestras e programas escolares em volta dos campos do Prêmio Nobel – ciências naturais, literatura e paz. Vídeos, objetos doados e visitas guiadas nos revelam mais sobre indivíduos que contribuíram para o avanço da humanidade.

O museu fica na Stortorget, mais antiga praça da cidade e importante ponto em Gamla Stan, que pode ser um bom local de partida para as outras atrações turísticas, já que não ficam longe umas das outras.

Visitar museus imperdíveis

Além do Museu Nobel e do Palácio Real, Estocolmo nos reserva uma série de outras instituições culturais importantíssimas que fazem dela uma cidade vibrante em sua cena cultural – uma das mais significativas de toda a Europa.

Para começar, digo que é imperdível visitar o Vasa, museu onde a atração principal é um exemplo original e vívido de um navio do século 17 decorado com centenas de esculturas. Disposto em um grande galpão, suas dimensões eram raras para a época: 69 metros de comprimento, 11 metros de largura e da quilha até o topo do mastro eram 52 metros.

Começou a ser construído em 1625 e levou três anos para ficar pronto. E eis aqui o fato que entrou para a história: em 10 de agosto de 1628, o Vasa afundou apenas 20 minutos após deixar o porto da cidade em sua primeira viagem. E foi encontrado só 333 anos depois e retirado do fundo das águas a partir de 1961 – foram anos tratando sua madeira e hoje mais de 98% de sua estrutura original está preservada.

Aberto todos os dias, o museu fica a 20 minutos de caminhada do centro de Estocolmo e a entrada custa entre 170 e 190 coroas suecas ao longo do ano, algo entre R$ 80 e R$ 90 – menores de 18 anos não pagam.

No distrito de Södermalm, de frente para as águas, está o Fotografiska, quase uma meca para os amantes da fotografia contemporânea. Grandes mostras e exibições menores são sediadas aqui anualmente, e onde nomes consolidados da fotografia e artistas de nicho que despontam localmente convivem pelos corredores.

Aqui também há um elogiado restaurante de comida orgânica, café e um dos melhores pontos para ver Estocolmo do alto no último andar. Dica: uma mostra sobre a criatividade negra na moda e uma exposição de imagens tiradas por Andy Warhol ficam no museu até o segundo semestre deste ano.

Aberto todos os dias até altas horas, cerca de 23h, o local cobra entre 110 e 235 coroas suecas para entrada – entre R$ 50 e R$ 115.

Se, assim como eu, você também é interessado em arte e design dos tempos passados, o Nationalmuseum é o local certo em Estocolmo. Aberto desde 1866 na península de Blasieholmen, o museu dentro de um edifício de arquitetura renascentista italiana tem como missão preservar o patrimônio cultural do país e promover a arte.

As coleções são compostas por pinturas, esculturas, desenhos e gravuras de datas que variam dos anos 1500 até 1900, além de design e retratos do início da Idade Média até os dias atuais. O melhor? A entrada é gratuita para todos – apenas as exibições temporárias são cobradas – e até o fim de junho o museu fica aberto todos os dias, com exceção das segundas-feiras.

Degustar a gastronomia local

Como uma cidade que pulsa arte e cultura, é claro que a gastronomia não ficaria de fora deste pacote atraente. Quer experimentar um restaurante três estrelas Michelin? Aqui tem. Apreciar uma boa e velha massa italiana? É possível. Ou ainda tomar um café num ambiente repleto de natureza? Também tem.

A começar, destaco o Frantzén, em Gamla Stan. É uma verdadeira experiência, já que possui três estrelas Michelin e é atualmente o número seis do mundo na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo.

O chef Björn Frantzén está por trás da empreitada, que tem 23 assentos, três andares e 521 metros quadrados, e que oferece um mesmo menu fixo no almoço e no jantar por 4.200 coroas suecas (cerca de R$ 2 mil).

O menu mistura a cozinha nórdica com técnicas clássicas e modernas de inspiração local com notas asiáticas. Espere então combinações com vieiras, ouriço do mar, pepino, coentro e leitelho; lagosta azul, alcachofra, lardo, óleo de folhas cítricas e mioga; codorna grelhada com ervilha, maitake e mostarda japonesa; entre outros.

Falando em Guia Michelin, vale dizer que Estocolmo possui 10 restaurantes com estrelas Michelinque vão de uma até três estrelas – e outros nove estabelecimentos na lista Bib Gourmand, que indica casas de boa qualidade e de bom preço.

A fim de um italiano? O Ristorante Paganini também fica próximo de Gamla Stan e serve massas deliciosas desde 1995. Portanto, aqui os tradicionais spaghetti, rigatoni, carbonara, risoto de funghi, assim como burrata, carpaccio e brusquetas são servidos em um ambiente casual com toalhas quadriculadas na mesa.

E que tal uma tarde agradável em um jardim aberto junto com café e almoço? Assim é o restaurante no Rosendals Trädgård, jardim público em Djurgården, que trabalha com agricultura orgânica e – quando a época do ano permite – os jardineiros colhem vegetais, ervas e frutas das culturas biodinâmicas.

Os pães e bolos são assados ​​à mão a lenha ao lado do café do jardim e o estabelecimento principal está localizado dentro de uma das estufas do local.

Visitar outros locais históricos e importantes a nível mundial

Poderia ser apenas mais uma sede da prefeitura, mas a Stadshuset – Conselho Municipal de Estocolmo – é uma parada turística obrigatória na capital da Suécia. E não só por sua imponente construção de 1911, com inspirações venezianas no século 15 e o nationalromantiken (“romantismo nacional” do século 18), mas também pela sua importância.

Aqui, na ponta oriental da ilha de Kungsholmen, é onde acontecem os suntuosos jantares após a cerimônia do Prêmio Nobel. O salão de baile tem mosaicos de um artista sueco formado na Itália, com mais de 10 quilos de ouro em um trabalho que ocupou mais de 100 pessoas por dois anos – a sala também recebe jantares privados.

As visitas são guiadas e mediante alguns horários específicos – adultos pagam 130 coroas suecas, cerca de R$ 60. O parque da prefeitura também fica aberto em certos meses do ano.

A cerca de 10 km de Estocolmo, em uma das tantas ilhas da região, fica Drottningholm, palácio real bem preservado construído no século 17 e que é a residência permanente da família real. Atualmente é um dos Patrimônios Mundiais da Unesco na Suécia.

O grande palácio apresenta salões dos séculos 17, 18 e 19, um parque, teatro e pavilhão chinês. O jardim barroco foi construído no início de 1681 e, assim como o palácio, fica aberto aos visitantes durante todo o ano – entradas saem por cerca de 130 coroas suecas, ou R$ 60.

Parques e vistas para a cidade

Uma das maneiras mais agradáveis de aproveitar Estocolmo também reside em suas praças, parques e pontos com vistas privilegiadas para a cidade. No centro, um dos cantos mais gostosos é o Kungsträdgården, parque central que é ponto de encontro e é cercado por cafés e restaurantes. Vale tirar um tempo e contemplar a vida acontecendo à nossa volta!

E uma das épocas mais lindas de se visitar o local é justamente na primavera: fiquei encantada com a beleza exuberante das cerejeiras que rodeiam o espelho d’água ao centro.

Já para vistas privilegiadas para a cidade, dois são os pontos que os locais frequentam: o Skinnarviksberget e o Monteliusvägen. O primeiro consiste no ponto natural mais alto do centro de Estocolmo, onde as vistas dão para Kungsholmen, Gamla Stan e a Câmara Municipal. É um local onde moradores fazem piqueniques e festas ao ar livre.

Já o segundo ponto é um caminho de 500 metros de comprimento com vista para o Lago Mälaren, da Prefeitura de Estocolmo e de Riddarholmen. O caminho tem casas de um lado e vistas para o lago do outro, e apreciar o nascer ou o pôr do sol é uma atividade recomendada que nos faz nos apaixonar ainda mais pela cidade.


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