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Férias de julho: destinos para curtir as baixas temperaturas com as crianças

No Brasil ou em países próximos, há cidades que combinam com temperaturas baixas e que oferecem diversão e história para a criançada

Lago Negro, em Gramado (RS); destino é uma das boas cidades para curtir o frio junto dos pequenos
Lago Negro, em Gramado (RS); destino é uma das boas cidades para curtir o frio junto dos pequenos Picasa/Wikimedia Commons

Daniela Filomenodo Viagem & Gastronomia

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Agasalhos, chocolate quente e marshmallows. O que isso significa? Que as temperaturas baixaram, o inverno está próximo e, com ele, as tão esperadas férias escolares. Aquele mês onde fazemos de tudo para curtir cada minuto ao lado dos nossos pequenos.

Brincadeiras com cabaninhas e cobertores, sessão de filmes, jogos de tabuleiro e de montar e cozinhar receitas deliciosas e descomplicadas ao lado das crianças costumam ser passatempos deliciosos aqui em casa nos dias mais frios.

As férias de julho batem à nossa porta e nos convidam a tirar um tempinho para nós e para eles. Seja no Brasil ou ainda em países próximos que possuem até neve, há cidades que combinam com temperaturas baixas e que oferecem diversão e história para a criançada.

Regiões serranas, nacionais ou internacionais, se destacam na escolha, e equilibram programas que ajudam na noção de mundo dos pequenos ao mesmo tempo em que oferecem lindas paisagens que ficam na memória.

A seguir, confira cinco cidades e regiões brasileiras para curtir o friozinho em viagens que podem ser curtas – além de um bônus de dois destinos na América do Sul que podem ser ideais para uma primeira vez na neve.

Campos do Jordão (SP)

Destino predileto dos paulistas quando o frio começa a dar as caras, Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, tem clima ameno o ano todo e carrega seu charme pelas ruas e restaurantes.

Município mais alto do estado de São Paulo e do Brasil, a 1.639 metros de altitude, Campos tem programas para toda a família e natureza exuberante – além de agenda sempre cheia na alta temporada.

A começar, vale a passada no Horto Florestal, que há mais oito décadas nos mostra uma riqueza cultural e natural. Batizado oficialmente de Parque Estadual Campos do Jordão, o local é lar de uma enorme área verde, preenchida pela vegetação local, com mais de 30 atrações e 12 km de trilhas.

Aberto diariamente das 9h às 18h, aqui há trilhas que levam até cachoeiras, arvorismo, locação de bikes, trenzinho florestal, pedalinho, entre outros. Os ingressos gerais custam R$ 18, com R$ 9 a meia-entrada.

Por falar em parque, outra boa opção é o Parque Amantikir, um dos mais bonitos e conhecidos da cidade. Perfeito para quem ama a natureza, o local se destaca pelo paisagismo, pela botânica e por ser composto por um conjunto de jardins.

Muito bem cuidados, eles possuem uma grande variedade de espécies – são cerca de 700 ao longo de uma área de 60 mil m². E fique tranquilo em levar seu cachorro, pois o Amantikir é pet friendly. Aberto todos os dias das 9h até às 16h, crianças de até cinco anos não pagam – os ingressos gerais custam R$ 60 e a meia-entrada sai por R$ 30.

Procurando mais emoções ao lado da criançada? O Tarundu pode ser o lugar certo, um espaço com mais de 25 atrações em uma área de 500 mil m² de mata preservada. Patinação no gelo, tirolesas de 60m de altura, passeios a cavalo, pônei, charrete, arco e flecha, entre outros, são oferecidos aqui.

No local ainda há restaurante e área com redes de descanso. O parque funciona todos os dias das 9h às 17h e é necessário comprar ingresso para entrar na área – cada atração é cobrada à parte.

Para os que querem um contato maior com animais, a fazendinha do Hotel Toriba é a dica. Riachos, bosques com vegetação nativa, horta, lagos, tanque com patos e gansos são dispostos em 300 mil m².

Aqui a interação com os bichinhos é a grande atração: galinhas, porquinhos-da-Índia, ovelhas, pôneis, entre outros, são cuidados na fazenda, que funciona todos os dias, das 9h às 16h. Consulte os valores no site oficial.

Hospedagens sofisticadas, restaurantes que unem o melhor da serra com vinhos e o famoso festival de inverno também podem ser encontrados pela cidade, principalmente pelos casais. Confira aqui um guia do que fazer e onde comer em Campos do Jordão.

Vale lembrar que, se for visitada a dois, a Serra da Mantiqueira ainda possui outras charmosas cidades que valem a visita, como Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São Francisco Xavier, Monte Verde, Gonçalves, entre outras.

Gramado (RS) e a Serra Gaúcha

A Serra Gaúcha é uma das regiões mais famosas do território brasileiro quando o assunto é aliar frio e turismo. Com influência de colonos alemães e toques bávaros, Gramado, a pouco mais de 100 km de Porto Alegre, é como a porta de entrada para as temperaturas baixas da região.

Com boa estrutura hoteleira, um dos melhores hotéis do mundo fica na cidade, o local também conta com gastronomia apurada e programas culturais para toda a família. Para além de suas lojas de chocolate e chalés alpinos, a cidade é lar do Snowland, parque inspirado na Europa com 16 mil m² que proporciona prática de esportes, brincadeiras e experiências com neve artificial.

É um espaço ideal para nossas crianças se movimentarem e praticarem esportes típicos do frio. Patinação no gelo, tubing e montanha de gelo são algumas das atrações que chegam a ficar abaixo de zero. Aulas de esqui e de snowboard também podem ser feitas aqui ao lado de profissionais. As tarifas são a partir de R$141.

Para quem deseja passeios mais calmos, o Lago Negro é um dos pontos turísticos mais conhecidos daqui. O lago tem uma água bem escura e é cercado por flores e pista de caminhada. Para uma experiência mais imersiva, há pedalinhos (pagos à parte) em formato de cisnes.

Também uma boa opção para os baixinhos, o Mini Mundo, perto do centro, é um parque ao ar livre composto por réplicas de ruas e prédios de várias partes do mundo – o que constitui uma verdadeira cidade em miniatura onde tudo é 24 vezes menor que a realidade. Aberto diariamente das 9h às 17h, os valores dos ingressos mudam de acordo com a temporada, confira aqui.

Vizinha a Gramado, a cidade de Canela pode ser visitada num combo. Aqui, além do centrinho e da catedral, a dica é visitar o Parque Estadual do Caracol, uma área de conservação com 25 hectares que abriga a queda do Caracol.

A “cachoeira” tem uma queda de 131 metros e é cercada por matas fechadas – é lindo de ver e de registrar vários cliques. Além da cascata, o Parque do Caracol ainda conta com um teleférico que presenteia o turista com uma vista panorâmica das cataratas.

A cerca de 13 km do centro de Canela, no Vale da Ferradura, fica a novidade Skyglass Canela, primeira plataforma de aço e vidro da América Latina e que possui duas atrações simultâneas. A passarela avança 35 metros sobre o penhasco e oferece uma vista de tirar o fôlego a 360 metros de altura sobre o Rio Caí.

Além do deque de vidro, os corajosos podem se aventurar no “Abusado”, monotrilho de cadeiras suspensas com 10 lugares que serpenteia a plataforma. O local conta ainda com lanchonete para os turistas e o Memorial do Ferro de Passar, com um acervo de diversos continentes. Confira valores no site oficial.

Vale lembrar que se estiver a dois, vale a escapadinha para a região de Bento Gonçalves, onde ficam importantes vinícolas brasileiras – as quais oferecem degustações e possuem restaurantes caprichados. Com as crianças, o passeio à bordo da locomotiva à vapor Maria Fumaça entre as cidades de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa percorre 23 km e é bem animada. Consulte valores no site. 

Petrópolis (RJ)

A Cidade Imperial fica a 66 km do Rio de Janeiro e é uma região na serra fluminense que respira história. Verdadeira viagem à época de Dom Pedro II, a cidade de cerca de 300 mil habitantes é uma boa escapada para mergulhar a família na história brasileira e, de quebra, aproveitar suas temperaturas amenas.

Petrópolis era o refúgio predileto do monarca para períodos de descanso e lazer, fazendo com que a cidade ganhasse a alcunha de ser um destino agradável para curtir a calmaria e o frio.

Aqui, é quase obrigatória a visita no Museu Imperial, um dos cartões-postais da cidade. Com um acervo dedicado à memória da monarquia brasileira, é o antigo Palácio de Verão de Dom Pedro II.

O edifício já tem quase 160 anos de história e mais de 300 mil itens ligados à família e ao passado imperial. Dentro do museu não deixe de ver um dos objetos mais impressionantes: a coroa do D. Pedro II, confeccionada em ouro cinzelado, contando com 639 brilhantes, 77 pérolas e pesando quase 2 kg. É literalmente uma atração à parte!

E uma curiosidade: é proibido entrar de sapatos no museu. A fim de conservar os pisos em mármore, a equipe disponibiliza pantufas na entrada. Na parte externa, os jardins guardam resquícios de canteiros históricos e espécies de vegetação trazidas de fora a mando do monarca. O museu abre de terça a domingo e a entrada custa R$ 10 (R$ 5 a meia).

Outro local historicamente e culturalmente importante é a Casa de Santos Dumont, ícone brasileiro que conquistou os céus e que deixou esta joia em terra. Popularmente chamada de “A Encantada”, a casa, que fica numa rua íngreme no centro, serviu de residência de verão para o aeronauta.

Centenária, aqui ficam expostos livros, cartas e objetos que pertenceram ao aviador. A casa foi dividida em três pavimentos (onde todos os espaços são práticos), onde há invenções simples e poderosas: o chuveiro já era aquecido a álcool e os degraus das escadas são recortados para facilitar os movimentos. O local funciona de terça a domingo das 10h às 17h e os ingressos custam R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada.

Caso queira dar uma esticadinha na viagem, dê um pulo no famoso distrito de Itaipava. Um dos destinos favoritos dos cariocas durante o inverno, o local é lar de bons restaurantes e de vistas espetaculares para as montanhas, além do conhecido Castelo de Itaipava. Confira aqui dicas completas de Petrópolis, Teresópolis e distritos na Serra Fluminense.

Curitiba (PR)

Com quase dois milhões de habitantes, a capital do Paraná é conhecida por ter um clima mais ameno que outras grandes cidades brasileiras. Uma das capitais mais frias de todo o país, ela é recheada de atrações turísticas que podem ser curtidas tanto pelos pais quanto pelos baixinhos.

Uma das paradas obrigatórias na cidade é o Jardim Botânico, cartão-postal e ponto turístico mais visitado de Curitiba. Sua principal atração é a estufa de 458 m² inspirada na arquitetura europeia, que abriga vegetais naturais e ornamentais da Mata Atlântica.

A estufa se sobressai na paisagem de dia e de noite – quando é iluminada – assim como os jardins no estilo francês em sua frente garantem bons cliques. O Jardim Botânico abriga o Jardim das Sensações, área que estimula o tato, o olfato, a visão e a audição de adultos e crianças, com o contato direto com mais de 70 plantas de texturas, formas e aromas diferentes.

O grande Parque Tanguá, na região norte da cidade, também pode ser um bom ponto para as crianças se movimentarem, brincar nos gramados e andar de bicicleta. Cascata, pista de cooper, ciclovia, mirante, belvedere e torres para observação são encontrados por aqui. Quer outro parque público com equipamentos para crianças? Tente o Parque São Lourenço, no bairro de mesmo nome.

Para mergulhá-los mais em programas culturais, escolha o Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico. São mais de nove mil obras dispostas em um espaço de cerca de 35 mil m² de área construída – há 12 salas expositivas e anualmente são realizadas mais de 20 mostras.

Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Tomie Ohtake, Andy Warhol e Di Cavalcanti, entre outros, são nomes de importantíssimas figuras artísticas que estão no acervo, além de uma coleção africana e outra asiática. O museu abre de terça a domingo das 10h às 17h30, e a entrada sai por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

Gosta de alturas? Leve os baixinhos para a Torre Panorâmica, atrativo numa torre de telefonia a mais de 100 metros de altura que possui um mirante com vista 360º da cidade. Os tíquetes custam de R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada) – crianças menores de cinco anos não pagam – e o atendimento é feito por agendamento.

Ouro Preto (MG) e cidades históricas

Assim como Petrópolis, a mineira Ouro Preto e as cidades históricas do estado carregam uma parte importantíssima da história do Brasil – nesta época do ano possuem temperaturas mais amenas, principalmente à noite. Estar aqui junto da família, portanto, é como uma aula a céu aberto, onde podemos apreciar seus museus, suas casinhas coloniais bem preservadas e inúmeras igrejas numa viagem que é uma verdadeira volta no tempo.

Aqui o caráter é parecido com a Cidade Imperial: é um lugar lindo e ao mesmo tempo educativo. De quebra, possui uma gastronomia com o melhor da cozinha mineira – já sinto o cheirinho de pão de queijo e do frango com quiabo daqui!

Caso queira ter uma imersão na cidade, opte por ficar pelo centro histórico. A dica é fazer os passeios a pé, subindo e descendo as ladeiras. Entre em todas as igrejas possíveis e se admire com a arquitetura barroca e os adornos em ouro – garanto que é mais ouro do que as crianças jamais imaginariam ver!

Tente a Igreja Nossa Senhora do Pilar, que nos presenteia com seus esplendorosos detalhes do barroco brasileiro. Outra obra significativa da arte colonial, a visita à Igreja de São Francisco de Assis é obrigatória. O interior é adornado com técnicas de pintura de azulejos portugueses, mas feito em madeira pelo Mestre Ataíde – o teto é uma obra-prima à parte.

Na seara dos museus, não deixe de conferir o Museu da Inconfidência, onde arquivos, memórias do movimento e milhares de artefatos dos séculos 18 e 19 podem ser conferidos. O ingresso custa R$ 10, com R$ 5 a meia-entrada. O Museu do Oratório também é uma boa pedida e anexo à Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Na cidade, a dica é “perder-se” e se surpreender com os detalhes em cada canto. Vale a passada também na Feirinha de Artesanato do Largo de Coimbra e a Casa de ópera de Vila Rica, teatro mais antigo em funcionamento do país. Novidade na cidade, o Museu Boulieu conta com um rico acervo de arte barroca internacional e vem para somar as boas opções culturais da região.

Distante apenas 14 km de Ouro Preto, Mariana pode ser colocada no roteiro como um destino bate e volta, onde é possível conhecer suas igrejas, praças, monumentos e ruas emblemáticas.

Um dos passeios recomendados e que ligam as duas cidades, inclusive, é a Mina da Passagem, um trajeto por antigas minas onde descobrimos túneis e trilhos que serviam de base para a exploração mineral.

Aberto ao público, o ambiente foi preservado para carregar as características deste espaço que foi ativo entre 1719 e 1985 – foram tiradas oficialmente 35 toneladas de ouro ao longo destes séculos. Um carrinho desce pelas cavidades e é possível até fazer um mergulho num lago subterrâneo ao lado de profissionais.

O passeio na mina gira em torno de R$ 180 para adultos e R$ 90 para crianças de 6 a 12 anos. Os mergulhos são feitos com auxílio de agências parceiras, com preços variáveis. Confira um guia completo sobre o que visitar, onde comer e onde ficar em Ouro Preto e Mariana aqui.

Para os que desejam se aprofundar ainda mais na história do Brasil, vale a pena esticar a viagem e se programar para visitar ainda Tiradentes e São João del Rei, outras das cidades históricas mineiras que são joias do país. Confira um guia completo sobre o que visitar, onde comer e onde ficar em Tiradentes e São João del Rei aqui.

Bônus: neve na Argentina e no Chile

Bariloche

Wikimedia Commons

Que tal sair do país e se deparar com temperaturas abaixo de zero com direito a neve? Para aqueles que querem ter um primeiro contato com a neve, o local pode ser um bom destino.

Bariloche, na Argentina, é uma opção interessante pelas belezas das paisagens da Patagônia – picos nevados, lagos, arvorismo, cavalgadas e uma diversidade de programas podem ser encontrados aqui, inclusive nas diferentes estações do ano. No inverno, Bariloche possui pelo menos quatro voos diretos com São Paulo.

Não é difícil achar aulas para as kids por aqui. Esquiar em Cerro Catedral é uma das atividades recomendadas, estação que oferece esquibunda, snow tubing, escola de esqui e um kids club com monitores.

A estação de Piedras Blancas também pode ser uma boa, em que predomina o esqui sentado – o esquibunda. Há várias pistas de diferentes dificuldades.

Valle Nevado

Armando Lobos

Uma das maiores e mais completas estações de esqui da América do Sul, o Valle Nevado pode ser uma área ideal para crianças e jovens que curtem mais emoção. A cerca de 90 minutos da capital Santiago – que também combina com o friozinho – a estação conta aulas específicas para crianças de 4 a 11 anos de esqui, snowboard e outras atividades na neve.

Há também aulas coletivas para jovens a partir de 12 anos durante a programação, em que há mais de 150 instrutores certificados para proporcionar uma verdadeira experiência de montanha.

No hotel Puerta del Sol, um dos três do complexo, há também a Kids Zone, área em que os pequenos podem relaxar fora da neve, com videogames e brincadeiras. O hotel também conta com um cinema.


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